Falência moral: Chrysler, Ford e General Motors

20nov08

As imagens dos presidentes da General Motors e da Ford embarcando em caros jatos, com despesas astronômicas é o retrato de como as empresas podem ser perdulárias com gastos desnecessários.

Em momentos de crise, os executivos chefes devem dar exemplo e acima de tudo mostrar aos seus colaboradores o caminho a seguir.

Algo fora de cogitação das “big three” de Detroit.

“Será que vocês não poderiam ter vindo de primeira classe ou, ao menos, dividido um avião? Estariam dando um exemplo”, deputado Gary Ackerman.

O deputado democrata Michael Capuano foi mais duro ainda:

“Temo que vocês peguem o dinheiro e tomem as mesmas decisões estúpidas dos últimos 25 anos”.

Leia mais em reportagem do Portal G1 e assista o vídeo com as imagens que chocaram os americanos – Link

Como bem retratou Miriam Leitão em seu blog, a falência americana é bem próxima da nossa concordata, e mesmo com os desmandos, o que está em jogo são mais de 3 milhões de empregos diretos e indiretos, o que pode levar as três grandes receberem dinheiro do contribuinte americano. A única certeza é que a falência moral já foi decretada.

Este escândalo é apenas um de vários elementos da decadência de empresas fadadas a sumir do mapa, pois independente da crise que estamos passando, a forma como as mesmas são gerenciadas e lançam produtos não tem mais espaço em um mercado com ares sustentáveis e acima de tudo, com consumidores engajados e conscientes.

Atualizando em 22.11.2008:

Depois de críticas, GM anuncia venda de jatos

A General Motors informou ontem que venderá dois jatos corporativos após sofrer críticas por enviar o executivo-chefe da companhia, Rick Wagoner, a Washington em um jatinho particular para discutir o plano de auxílio financeiro do governo dos EUA às montadoras. Diversos parlamentares citaram o uso dos aviões particulares pelos executivos da GM, da Chrysler e da Ford como motivo para rejeitar o pacote de auxílio.
O porta-voz da GM, Tom Wilkinson, disse que a montadora, que arrendou os aviões, decidiu se livrar de duas das cinco aeronaves antes das audiências desta semana como parte de um programa de corte de custos.

A companhia já havia vendido dois aviões em setembro.

“Entendemos a questão simbólica das pessoas aparecerem em Washington em jatos corporativos”, disse Wilkinson.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Atualizando em 25.11.2008:

Pechincha americana
É pegar ou largar: a GM, a gigante (ou ex-gigante?) GM, podia ser comprada ontem na bolsa por 2,1 bilhões de dólares. Era esse o seu ridículo valor de mercado. As informações são do radar Online da Revista Veja.

Atualizando em 27.11.2008: Salvar agora, mas por quanto tempo? Companhias como a GM ou a Ford, que chegaram a uma situação de quase falência depois de muitos anos de má conduta, merecem mesmo ajuda do governo?

A GM, como se sabe, está em situação de pré-falência. Tem despesas de 11 bilhões de dólares por mês para funcionar no seu dia-a-dia, mas dispõe de menos de 16 bilhões em caixa; pode ficar sem dinheiro para pagar suas contas já neste próximo mês de janeiro.

“Deixar que o setor quebre é maravilhoso nos manuais de economia”, diz o diretor de uma firma americana de investimentos, “mas pode ser um desastre no mundo real.”

Há quatro anos, a GM não tem um tostão de lucro; suas ações, ao longo dos últimos 12 meses, perderam 90% do valor; a empresa paga cada vez mais salários em troca de cada vez menos trabalho, até porque grande parte da folha se destina a remunerar seus 480 000 aposentados.

Somadas, as montadoras americanas ficam com menos de 50% das vendas de veículos no mercado interno. Seus carros consomem cada vez mais gasolina e ficam cada vez mais distantes dos competidores em termos de inovação – esforço que, segundo imaginam, é o governo que teria de custear.

Seus executivos, há anos, concentram-se mais em atuar junto à bancada automobilística e aos lobbies de Washington do que no trabalho de construir carros. Um deles, o vice-presidente da GM, Bob Lutz, chegou a dizer que modelos flex “não fazem sentido econômico”.

Leia artigo de J.R. Guzzo para revista ExameLink

Links relacionados:

13.02.2008: General Motors vs. Toyota. Porque pouca importa saber quem é a maior montadora do planeta

16.04.2008: General Motors: Mudar para não morrer…

05.07.2008: A General Motors pode ir à falência?

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