Financiamento de carros: a diferença entre Brasil e EUA em meio à crise

03out08

Por enquanto é cedo para fazer uma avaliação de como os mercados vão reagir, mas uma amostra é que, enquanto nos EUA a Toyota decide financiar seus automóveis a juros zero, por aqui o mercado toma medidas contrárias.

A própria Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), entidade que representa mais de 4 mil concessionárias do País divulgou através de seu presidente Sérgio Antonio Reze,  que o pretendente a financiar a compra de um carro atualmente vai pagar juros mais altos do que pagaria antes do início da turbulência no mercado.

Mas se a crise é americana, qual o motivo para esta disparidade, esta inversão nas medidas a serem tomadas pelo mercado?

Pelo simples fato de que em nosso País o crédito é caro e escasso. Sempre foi e assim vai ser sempre, porque o nosso governo gasta mais do que arrecada. Por isso o custo do dinheiro em nosso País sempre será mais caro!

Mesmo o governo diminuindo os depósitos compulsórios dos bancos, a necessidade de dinheiro será alto, pois a máquina governamental é inchada, onerosa e corrupta.

Vide as taxas de arrecadação do governo em impostos que nunca diminuem, o governo tira de um lado, mas aumenta de outro, como no caso da CPMF.

Aliás, a notícia da diminuição dos depósitos compulsórios foi feita ontem, o qual vai liberar 23,5 bilhões na economia.

Mas e o superávit primário que vem crescendo este ano de 2008, e superando a estimativa do próprio governo federal? Mesmo com a meta elevada, o governo continua gastando muito e mal.

O superávit primário é a diferença entre as receitas líquidas do governo e as despesas, sem considerar os gastos com os juros da dívida.

E estes juros estão altíssimos, como todos sabemos, portanto este enorme superávit primário não consegue pagar a totalidade dos juros que o governo é obrigado a pagar pelo dinheiro que empresta.

Um círculo vicioso e ruim para o País que o próximo presidente da república vai ter que encarar com seriedade e bom senso. Mesmo no atual governo tem gestores públicos e políticos que disseram ser uma perda de tempo manter o superávit primário em detrimento da economia, e muitos ainda acham salutar ter um pouco de inflação!

Concordo que sem este superávit primário, a nossa economia poderia estar muito pior com esta crise que se agrava, mas é necessário conter os gastos públicos, caso contrário, a tendência é uma piora em muitos indicadores cruciais para o pleno desenvolvimento de nossa economia, por completo diga-se.

Muitos analistas também divulgam que nós também temos um subprime brasileiro nos financiamentos de automóveis.

Acho pouco provável porque o tamanho deste mercado em relação ao PIB brasileiro é pequeno, em torno de 4,4% no mês de junho deste ano, com um montante de 129,8 bilhões de reais também no mesmo mês do ano. São números da ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras). Acesse aqui o relatório da ANEF do 1º semestre de 2008.

E mesmo com relação à carteira dos bancos, a soma total dos empréstimos para financiamento de veículos não se constitui em risco para os mesmos e para o mercado nacional de crédito.

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3 Responses to “Financiamento de carros: a diferença entre Brasil e EUA em meio à crise”


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