Usain Bolt que assombrou o mundo, está muito longe dos limites do corpo humano

02set08

O espantoso recorde mundial batido por Usain Bolt com tempo de 9,69 segundos nas Olimpíadas de Pequim está muito longe das bioestatísticas para o que é o limite natural para o corpo humano.

Reuters

Foto: Reuters

Mas ao quebrar o modelo matemático para a seqüência de recordes para os 100 metros rasos de quase um século, o velocista Bolt e seu incrível desempenho atual poderão redefinir a investigação da velocidade máxima que os seres humanos podem alcançar.

“Essa tendência parece desafiar a simples montagem da curva”, escreveu Tatsuo Tabata, diretor do Institute for Data Evaluation and Analysis in Japan.

As estatísticas usavam um limite inferior de 9,45 segundos, de acordo com Tabata e de outros pesquisadores.

A curva exponencial do quadro acima – que é traçada a partir de uma equação calculada para se ajustar aos dados gravados haviam sido bem sucedido em predizer e registrar os progressos constantes dos recordes dos 100 metros. Mas a seqüência de quebras de recordes de Bolt não foi claramente um acontecimento esperado: O modelo não previa o recorde de 9,69 até o ano de 2030!

Embora as estatísticas não tenham calculado o novo recorde mundial de Bolt e seus números, é provável que as equações para calcular a velocidade máxima humana sejam refeitas.

“Com este novo dado, para o tempo de 100 metros, talvez seja provável que o recorde abaixe mais”, disse Reza Noubary, um matemático da Bloomsburg University of Pennsylvania e autor de um livro sobre estatísticas e esportes.

Ele tinha anteriormente calculado um “último registro” de 9,44 segundos para os 100 metros.

Matemáticos como Noubary não usam a fisiologia do corpo humano para avaliar limites físicos. Eles trabalham simplesmente com dados sugerindo que a velocidade dos humanos foi desacelerando e acabando por parar completamente. Com efeito, em alguns eventos, como o salto em distância, o ritmo de registro de recordes diminuiu, quase parando. O recorde foi quebrado apenas duas vezes desde 1968.

Mas, a forma como os modelos matemáticos foram modelados com os progressos dos recordes podem estar errados.

Vários anos atrás, Jonas Mureika, um físico da Loyola Marymount University in Los Angeles, desenvolveu um modelo usando técnicas traçadas a partir da sismologia que previa um velocista como Bolt e seu tempo em 2009. Mas, ele não acreditava em seus próprios números, e decidiu não publicar o trabalho.

“O registro então era de 9,79 e [o modelo] tinha previsto esses tempos loucos, que em 2009 ele deseja ser estabelecido com 9.6 segundos”, disse Mureika.

“Eu pensava que era loucura, e que não iria avançar rapidamente. Cada dia que penso sobre isso, eu quero me chutar. Esta é a minha penitência por duvidar dos números.”

Apesar do sucesso do modelo da Mureika, Peter Weyand, um fisiologista da Southern Methodist University, em Dallas nos Estados Unidos com foco na biomecânica para corredores, disse que modelos matemáticos nunca podem prever o quanto rápido podem ser, eventualmente, um ser humano.

“Previsão é bom para chutes, mas não é uma abordagem cientificamente válida”, disse Weyand. “Você tem que assumir que tudo o que tem acontecido no passado continuará no futuro.”

Ele sugeriu que é impossível para os matemáticos prever a magnitude do surgimento de um talento no atletismo, em casos extremos na humanidade. Bolt, se constata, é um exemplo perfeito.

Weyand tem conduzido uma investigação sobre o corpo de 45 top atletas da prova de 100 metros nos últimos 15 anos, e disse que quase todos os corredores da elite seguem normas para o modelo de corpo e comprimento, exceto para o mais recente campeão olímpico.

Bolt é um caso isolado. Ele é enorme”, disse Weyand. “Normalmente, quando alguém que seja tão grande, nem começa no esporte de velocidade”.

Isso porque a velocidade dos músculos nos animais é geralmente ligada à dimensão de tamanho. Por exemplo, roedores, sendo muito menores que os elefantes, os seus músculos podem avançar mais rapidamente. O mesmo vale para os seres humanos. Velocistas são curtos e têm mais velocidade de contração nas fibras musculares, o que lhes permite acelerar rapidamente, mas comprometendo a sua capacidade de correr em longas distâncias. Corredores de 400 metros, quase sempre são altos, e têm a composição das fibras musculares ao inverso dos velocistas.

Porém, o velocista Bolt combina as vantagens da mecânica de um homem mais alto com o organismo de velocidade da contração nas fibras musculares de homens pequenos.

“Nós realmente não sabemos qual é a melhor forma e talvez Bolt esteja para redefinir e mostrar para nós o que talvez tenhamos perdido alguma coisa”, disse John Hutchinson biomecaniscista do Royal Veterinary College at the University of London, que estuda como os animais se deslocam.

Hutchinson também concordou com Weyand que o limite da velocidade nos seres humanos permanecerá impossível de se prever com algum grau de confiança.

Para ele, é o Comitê Olímpico Internacional e outras entidades reguladoras, que irão determinar quão rápido os atletas poderão alcançar e seus limites e, obviamente limitar o montante das biotecnologias avançadas que os velocitas poderão usar.

“Os limites serão fixados por regras do COI“, disse Hutchinson.

“É uma espécie de corrida armamentista com os reguladores do esporte e as pessoas que tentam empurrar a tecnologia no limite. Em algum momento a tecnologia não poderá mais ser usada e regras vão ter que existir para restringir o avanço desenfreado.”

Com técnicas de terapia genética que se tornarão disponíveis em algum momento de um futuro não muito distante, Weyand disse que a sua utilização pelos atletas será “inevitável”.

“Você poderá ver realmente coisas estranhas, e isso provavelmente irá ocorrer”, alertou.

Via Alexis Madrigal para Blog Wired Science

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One Response to “Usain Bolt que assombrou o mundo, está muito longe dos limites do corpo humano”


  1. 1 Léo… fora da labombonera… É o Cara « Curupira's Poker

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