Mercado prevê fenômeno de popularização do bafômetro “genérico”.

24jul08

Na onda da Lei Seca, que vigora há um mês no Brasil, o bafômetro deixa de ser um artigo usado quase que exclusivamente por órgãos públicos de trânsito para se popularizar. Mas não são aqueles aparelhos tradicionais utilizados nas blitze e sim os “genéricos”, que são mais populares, e podem ajudar os condutores a se autovigiar.

Com a Lei Seca diversos segmentos estão aproveitando o momento para vender bafômetros de preços mais baixos.

Concessionárias procuraram a importadora atrás do equipamento para oferecê-lo como acessório nos veículos e houve até pedidos para incluí-lo como brinde de algumas empresas. A maioria é importada da China e deve custar até R$ 5. Os bafômetros tipo chaveiros e descartáveis são pata atender o cidadão comum que quer se autoavaliar.

A relações públicas Priscila Moreira, 26, adorou a idéia e disse que compraria o produto como forma de se precaver.

“Daria até de presente a um amigo que bebe muito. Seria uma brincadeira bem original”, afirma.

Hoje, no Brasil, o modelo mais vendido é o BFD-30, ao custo de R$ 360, que se parece com um celular e é chamado de personal test.

(Etilômetro BDF-30 – Foto: Daigo Oliva/G1)

O gerente de vendas da importadora Instrutemp, Vinícius Molina, também diz que a venda de bafômetros aumentou 300% desde 20 de junho, quando passou a valer a lei de tolerância zero para a mistura entre álcool e volante.

“Só nas primeiras duas semanas após a data, vendemos 400 unidades do BFD-30, que esgotou. Estamos tendo que importar mais”, afirma Molina.

Também os fabricantes nacionais de bafômetro estão rindo à toa. A catarinense CSP está relançando o BARfômetro, que foi desenvolvido há mais de dez anos, mas não teve grande aceitação.

Entretanto, com a Lei Seca, a expectativa é aumentar em 100% as vendas, tanto do BARfômetro (um modelo fixo para ser instalado nos bares, que custa cerca de R$ 2.500), quanto do BF 2000 (um modelo de etilômetro portátil que funciona com tecnologia de sensor de combustível, direcionado especialmente a empresas e governos, em um valor de R$ 7.890).

O diretor da CSP, Dhelyo Pereira Rodrigues, defende que o problema não está no consumo do álcool, mas no ato de dirigir logo após beber, antes que o efeito saia do organismo. Ele propõe que os motoristas verifiquem, ainda no bar, qual o nível de álcool no sangue para depois dirigirem com segurança.

Absorção
Dhelyo lembra que a absorção de álcool e sua eliminação pelo organismo variam entre as pessoas. Ele explica que bebidas destiladas, como uísque e vinho, levam bem mais tempo para serem absorvidas e eliminadas pelo organismo do que cerveja porque têm menos água. O engenheiro foi o responsável por trazer o primeiro bafômetro para o Brasil, na década de 1980.

“Mas tudo varia de acordo com a constituição física da pessoa, saúde, o que ela comeu”, comentou.

O diretor da CSP ressalta que a pessoa que bebeu um pouco de cerveja e foi reprovada pelo bafômetro pode esperar um tempo enquanto o organismo metaboliza o álcool. A CSP pretende alcançar a cifra de R$ 80 milhões com a venda de bafômetros nos próximos nove meses.

“O Sr. Dhelyo Rodrigues foi responsável pelas pesquisas que levaram ao desenvolvimento e fabricação do primeiro bafômetro brasileiro. Ou seja, o BF 01, primeiro bafômetro brasileiro, foi produzido após três anos de pesquisas e fabricado pelo próprio Sr. Dhelyo. A CSP nasceu com este primeiro produto”, explica Patrícia Ramos, assessora da CSP.

O diretor da fábrica paulista de etilômetros Elec, Elias Lobo, também diz que a procura pelos equipamentos desde que a Lei Seca começou a vigorar, em 20 de junho, cresceu mais de 200%.

A empresa, que produzia 300 aparelhos por ano, projeta fechar 2008 com a produção de 800 unidades de um modelo direcionado à fiscalização, no valor aproximado de R$ 6.500.

Aparelho em forma de chaveiro a R$1 na web
Apesar do aumento da demanda por bafômetros no Brasil, de acordo com a afirmação de alguns fabricantes e importadores do produto, em Belo Horizonte ele ainda não é artigo encontrado nas farmácias.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos, Lázaro Luiz Gonzaga, a lei é muito recente e o setor ainda não percebeu uma procura dos clientes pelo equipamento.

Mas ele diz que o bafômetro não está descartado da lista de mercadorias das empresas.

“É uma possibilidade ainda a ser avaliada”, diz.

Para quem quiser adquirir um bafômetro para uso caseiro, mas que ainda tem dificuldades em encontrá-lo nas lojas, a solução pode ser a Internet, onde o aparelho é vendido a preços módicos.

No site do Mercado Livre, por exemplo, o modelo digital, tipo chaveiro, pode ser comprado por até R$ 1. O Etiloteste Químico Contralco, ou bafômetro descartável, é achado por R$ 15 a unidade, fora a taxa de entrega. O produto vem em um kit, sendo um tubo teste e um balão delimitador da amostra do ar expirado, contidos em uma embalagem individual e transparente.

O engenheiro Dhelyo Pereira Rodrigues, especialista no assunto, adverte que a maioria dos modelos mais baratos e simples não tem precisão garantida, nem serve para produzir provas, por exemplo, já que muitos não têm homologação no Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Ele ainda explica que a grande diferença de preço entre os modelos “genéricos” e os destinados para o uso da polícia se justifica pelas diferentes tecnologias aplicadas, além dos impostos.

Via Jornal O Tempo/MG

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