Aguardente de frutas conquista clientela.

21jul08

Nada de trago para o santo ou careta na hora de beber. As aguardentes produzidas a partir de insumos diferentes da cana-de-açúcar, acerola, pitanga, abacaxi, rapadura e até flores – conquistam pelo aroma, baixo teor alcoólico e paladar suave.

Ideais para coquetéis, as águas da vida, ou eau-de vie como são conhecidas na França, também casam na harmonização com sobremesas e charutos.

Febre no Velho Mundo, onde recebem também o nome de slivovitz, na Tchecoslováquia, elas são consumidas como digestivos ou no acompanhamento de cafés e capuccinos.

No Brasil, a marca da produção, ainda tímida, é o perfeccionismo garantido pelo caráter artesanal.

A qualidade é meta acompanhada de perto pelos produtores. No entanto, a baixa escala, burocracia e alto custo da certificação pelos órgãos competentes ainda dificultam a entrada do produto no mercado de massa.

Em pequenas propriedades espalhadas pelo interior do estado, as histórias desses alambiques de cobre se misturam à dos fazendeiros, como a do engenheiro Antônio Carlos Ferreira e sua mulher, a artista plástica Ilda Neves. Em 1999, eles resolveram mudar de vida. No corre-corre diário da profissão, ele sempre nutriu o sonho de morar no sítio Caminho do Sol, na estrada entre Itajubá e Maria da Fé, no Sul de Minas.

Vídeo da produção da Musa Agroindustrial

Em suas viagens a trabalho pela Suíça, Ferreira aprendeu a admirar as aguardentes especiais e se dedicou à pesquisa de processos produtivos. Anos mais tarde, com investimento de R$ 400 mil, nascia a Musa Agroindustrial, destilaria especializada em aguardentes de frutas.

“A produção é artesanal e o potencial é enorme, mas não pretendo expandir. Primamos pela qualidade”, afirma.

Para produzir, Ferreira precisou fazer adaptações criativas e modernas em máquinas e equipamentos. Os cuidados vão desde a temperatura, passando pela seleção das frutas e a importação de uma enzima que libera o suco da banana. Cada 20 quilos da matéria-prima rende até três litros de aguardente, nas versões prata, incolor e de sabor mais seco, e ouro, maturada em tonéis que lhe conferem a cor de mel.

A capacidade produtiva do projeto-piloto não foi alterada: apenas 15 mil litros chegam aos consumidores por ano. Com o aprimoramento e os registros, outras frutas foram incluídas, como pêra, ameixa e tangerina. A empresa trabalha com distribuidores no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

“Mas é de Belo Horizonte que ela segue para todo o país”, acrescenta Ferreira.

O preço médio de venda é R$ 35, mas pode chegar a até R$ 60.

Bem distante dali, a lendária figura de Sô Joca dá nome à aguardente de rapadura produzida em Paracatu, no Noroeste de Minas, às margens do Córrego Rico, na Região de Moinho, pelo agricultor Flávio Botelho Costa. Andando pelos 48 hectares de sua propriedade, ele matutava uma forma de diversificar seu negócio, antes restrito à produção de cana-de-açúcar.

“Aprendi a fazer a bebida à base do melado graças à família de Sô Joca, um homem trabalhador e muito positivo”, lembra.

Antes restrita ao consumo caseiro, a produção chega hoje a 7 mil litros por ano e o comércio, ainda informal, é feito no porão da cachaça, um cômodo no subsolo da casa antiga da Fazenda Brocotó, onde o produtor rural vende também a “marvada” tradicional.

“A garrafa de 700ml custa R$ 20. Normalmente, quem revende acrescenta 30%. Em média, o negócio dá entre 50% e 60% de lucro”, diz Costa.

A fama já rende viajantes de passagem pela cidade batendo a sua porta.

“A procura atiça, mas nossa escala não compensa a formalidade.”

Enquanto as frutas e a rapadura dão o tom no Sul e Noroeste de Minas, na vila colonial de Cocais, distrito de Barão de Cocais, na Região Central do estado, a novidade fica por conta das aguardentes de frutas temperadas com canela e outras especiarias, as mistas – laranja e abacaxi com hortelã, acerola com pitanga – e as produzidas a partir de flores nativas.

“Estamos construindo um espaço diferenciado para a fruição de uma bebida fina, em ambiente cercado de história e cultura”, salienta Magali, irmã do produtor e dono da Pousada das Cores, Everton de Paula.

O lucro gira em torno de 30% e somente 2 mil litros por ano.

Cerca de 95% dos proprietários dos alambiques mineiros são informais, segundo o diretor da Expocachaça e presidente do Centro Brasileiro de Referência da Cachaça (CBRC), José Lúcio Mendes.

“Não temos informações sobre a produção de aguardentes de insumos diferenciados, porque ela é muito pulverizada”, justifica.

Em Minas, 260 milhões de litros de 900 marcas de cachaça são distribuídos por 700 empresas registradas no Ministério da Agricultura, 60% do total feito no país. A dificuldade de se encontrar produtos certificados limita a oferta das aguardentes de frutas na Cachaçaria Alambique.

“A procura de aguardentes de mel, jabuticaba, caju é constante, mas não podemos servir produtos não registrados”, lamenta o dono, Henrique Caetano.

Via Estado de Minas

Leia mais sobre aguardentes aqui no blog:

Pack promocional para a cachaça Sagatiba Velha.

Mercado de cachaça: A ordem é exportar.

Conheça as tendências para o mercado de bebidas brasileiro.

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4 Responses to “Aguardente de frutas conquista clientela.”

  1. Bem interessante essa história do Engenheiro que fabrica a cachaça com sabores.Como faço para entrar em contato com essas pessoas que fabricam a cachaça saborizada?

  2. Olá Leonardo,

    clique no nome Musa Agroindustrial e você vai entrar na página do site da empresa.

    Abraços

  3. 3 Angela

    Olá…

    Estou fazendo um artigo sobre a produção de aguardente de frutas, mas até agora não encontrei nada que me informe exatamente como é o processo de produção.Teria como me informarem isto?

    Se puderem agradeço, me ajudaria muito!

    Obrigada. Abraços.

  4. Olá Angela,

    sugiro que você entre em contato diretamente com a Musa Industrial que é uma das empresas que faz este tipo de produto e que consta nesta reportagem. Se você clicar, no artigo, no nome Musa Industrial, você entra diretamente no site da empresa.

    Dúvidas estarei à disposição,

    Abraços


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