Ernst & Young: Riscos Estratégicos aos Negócios em 2008. Os Dez Maiores Riscos às Empresas.

18maio08

Consumidor “verde” já é visto como um risco aos negócios.

O consumidor atento às questões ambientais e disposto a mudar seus hábitos de consumo para alternativas mais ecológicas já pode ser considerado como um potencial risco aos negócios. É o que aponta estudo da consultoria Ernst&Young, intitulado “Riscos Estratégicos aos Negócios – 2008 – Os Dez Maiores Riscos às Empresas”.

O estudo, com base nas análises de 70 especialistas ao redor do mundo, avaliou 12 setores da economia e apontou as dez maiores ameaças para os negócios na atualidade.

Um deles é o que o estudo chama de “radical greening” – que pode ser traduzido como a adoção extremada de hábitos “verdes”, e que aos poucos está influenciando o comportamento das empresas. A militância dos consumidores ativistas figura lado a lado com outros riscos aos negócios, como mudanças na legislação, inflação dos custos corporativos e envelhecimento da população. O risco do “radical greening” aparece na nona posição na média dos maiores impactos, e seu peso varia conforme o setor em que a empresa atua.

“Setores como petróleo e gás, automobilístico, seguros, energia e saneamento têm nas questões ambientais um risco forte a ser gerenciado, principalmente por causa do aquecimento global”, diz Joel Bastos, diretor de Sustentabilidade da Ernst&Young.

“Mas cresce também o risco das empresas que fabricam produtos de consumo, do setor bancário e do varejo, pois vemos claramente um cenário em que os consumidores vão banir empresas que não considerarem responsáveis”, completa.

Segundo o executivo, isso tem levado estrategistas de indústrias como a de automóveis a se empenharem no desenvolvimento de carros menos poluentes.

“Há 30 anos, ninguém iria imaginar que o hábito de fumar seria tão combatido. Já existe um temor na indústria de que o automóvel se torne o novo cigarro”, compara. Em setores como alimentos, a preocupação ambiental caminha junto com a preocupação com saúde.

“São tendências de consumo que andam juntas e que crescem na mesma proporção.”

São pessoas como a designer gráfica Fabiana Caruso, 28 anos, e seu marido, o nutricionista Francisco da Costa Silva Júnior, 29 anos. Integrantes do movimento conhecido como veganismo – não consomem qualquer produto de origem animal, como carne, leite e couro -, eles são céticos em relação às boas práticas da indústria de alimentos, medicamentos e cosméticos. Preferem comprar produtos de pequenas empresas, mais afinadas com a filosofia que praticam.

“As estratégias das grandes empresas em parecerem ‘verdes’ é só para conquistar mais um nicho de consumidores. Não existe um compromisso real de ser mais ético, mais sustentável”, diz Júnior.

Ele observa, no entanto, que nos últimos anos aumentou a oferta de produtos com essa rotulagem – como grandes laticínios que oferecem produtos à base de soja.

“Mas eles continuam sendo grandes laticínios, com práticas que não aprovamos.”

O casal já se acostumou a olhar minuciosamente rótulos e pesquisar a fundo os componentes dos produtos que compram.

“Estamos sempre observando e repensando o que nos é apresentado como opção de consumo”, diz Fabiana, que revela ter banido definitivamente várias marcas de seus hábitos de consumo.

Percepção
A percepção dessas mudanças de comportamento dos consumidores já traz reflexos nos negócios de grandes multinacionais, que já começam a sentir a pressão desses grupos. Um exemplo é a rede varejista Wal-Mart, que desde 2006 vem tentando colocar mais produtos sustentáveis nas gôndolas.

Na prática, isso significa mais produtos orgânicos, aumentar a presença de produtos feitos a partir de materiais reciclados – o lançamento mais recente foi um coberto feito 100% de plástico PET -, estimular os fornecedores a desenvolver embalagens menos poluentes e até banir categorias que sejam consideradas inadequadas, como lâmpadas incandescentes, de sua marca própria.

“Em cinco anos, todos os produtos da marca própria devem se enquadrar nessa categoria. Atualmente, em torno de 15% dos nossos fornecedores já se adaptaram à exigência”, diz Fábio Cyrillo, diretor de marcas próprias do Wal Mart Brasil.

A estratégia de expandir o sortimento de orgânicos faz parte do programa de sustentabilidade da companhia no mundo que envolve investimentos de US$ 500 milhões até 2010.

Gigantes de produtos de consumo, como Unilever e Procter&Gamble, também vêm tentando desenvolver produtos com a proposta de serem menos agressivos ao ambiente. Dona das marcas Omo e Comfort, a Unilever lança, nos próximos dias, um produto que promete ajudar na economia de água. Redes de fast food como o McDonalds estão mudando o cardápio para se resguardar contra críticas de consumidores preocupados com saúde.

“Antes de tudo, o radical greening é bem informado, tem dinheiro e escolhe marcas. As empresas não podem prescindir dele”, resume Bastos, da Ernst&Young.

Via Agência Estado

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3 Responses to “Ernst & Young: Riscos Estratégicos aos Negócios em 2008. Os Dez Maiores Riscos às Empresas.”

  1. Mais uma pergunta encima da reflexão acima. Como o Turismo: serviços, produtos, podem entrar nessa discução? Qual o papel das empresas de turismo neste contesto?
    Na prática, o turismo depende de pessoas e pessoas tem habitos diferencias, individuas e culturais, que só o tempo e com conscientização, para aceitar mudanças.
    Se fugi do assunto me perdoem. Obrigada. Daisy

  2. Olá Daisy,

    suas dúvidas são pertinentes ao assunto com certeza! As mudanças individuais e em grupo devem sim acontecer, aliás, já estão acontecendo até por obrigação moral e de mercado. Já existem em nosso país hotéis que praticam a sustentabilidade ao pé da letra, onde até os móveis são feitos com materiais recicláveis, as atitudes, consciência.

    E os donos destes hotéis o fazem por qual motivo? Os hóspedes estão exigindo e o mercado também para que você possa se diferenciar e ter um atrativo, motivos para que eu esteja usufruindo de seus serviços.

    Estamos em uma era em que o consumidor profissional exige estas mudanças. Turismo é serviço e serviço exige um alto grau de atendimento e atenção nos mínimos detalhes.

    o turismo no mundo todo é o setor econômico que mais emprega pessoas, um de cada 10 postos de trabalho criados advém do turismo.

    E como não poderia deixar de ser a conscientização ecológica é imprescindível para que o setor continue crescendo. A educação, ética e práticas permanentes em sustentabilidade devem ser os pilares para o crescimento deste setor no país.

    O que é preciso para o desenvolvimento sustentável do turismo?

    – Utilizar da melhor forma os recursos ambientais do destino;

    – Respeitar a autenticidade sociocultural da comunidade local;

    – Assegurar a viabilidade econômica de uma operação de longo prazo, proporcionando benefícios socioeconômicos igualmente distribuídos a todos os stakeholders do destino;

    – Promover a participação consciente de todos os stakeholders relevantes ao processo, assim como uma forte liderança política;

    – Manter o alto nível de satisfação do turista assegurando uma experiência significativa, elevando a conscientização sobre a sustentabilidade e promovendo praticas sustentáveis entre os turistas;

    – Turismo sustentável é um processo contínuo e requer monitoramento constante dos impactos no destino.

    O destino turístico que assume esta prática obtém:

    – Melhor utilização dos recursos naturais e culturais;

    – Melhora da qualidade de vida da população;

    – Justa e auto sustentada base comercial/econômica com foco no visitante;

    – Saudável parceria entre governo, iniciativa privada, terceiro setor e comunidade.

    O turismo ainda é um setor praticamente novo em nosso país, os dados existentes ainda são imprecisos e pouco se sabe ainda a dimensão que isso representa. Sabemos que o turismo de negócios na cidade de São Paulo é uma máquina de fazer dinheiro, e o Nordeste vem recebendo aportes bilionários em infra-estrutura.

    Alguns links e sites para você se aprofundar no assunto:

    – UNWTO (http://www.world-tourism.org/) – Organização Mundial do Turismo – Textos em inglês, espanhol e francês.

    – UNWTO (http://www.world-tourism.org/frameset/frame_sustainable.html) – Sustainable Development of Tourism – Link dentro do site da Organização Mundial do Turismo dedicado ao Desenvolvimento Sustentável do Turismo. (textos em inglês, espanhol e francês)

    – TIES (http://www.ecotourism.org/webmodules/webarticlesnet/templates/eco_template.aspx?a=12&z=25) – The International Ecotourism Society – Organização que promove o turismo sustentável em áreas naturais, incentivando a preservação ambiental e a melhora na qualidade de vida das populações locais.(textos somente em inglês)

    – IH (http://www.hospitalidade.org.br/) – Instituto de Hospitalidade – Organização do terceiro setor com a missão social de contribuir para a promoção da educação e da cultura da hospitalidade, visando o aprimoramento do setor do turismo de modo a impulsionar sua contribuição para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

    – Destinations (http://www.desti-nations.net/) – Fórum Mundial de Turismo para Paz e Desenvolvimento Sustentável – Movimento permanente e contínuo que envolve organizações e indivíduos de todo o mundo com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de conceitos e práticas do turismo que promovam:Diversidade cultural, Desenvolvimento econômico e social, Preservação da biodiversidade e Condições para a paz.

    – Trilha Jovem – Turismo e Responsabilidade Social (http://www.hospitalidade.org.br/atuacao/educacao/trilhajovem) – Iniciativa coordenada pelo Instituto de Hospitalidade que prepara jovens de baixa renda para ingressar, permanecer e crescer no mercado de trabalho no setor de turismo.

    – Movimento Brasil de Turismo e Cultura (http://www.movimentobrasil.org.br/) – Projeto nacional que visa estimular o desenvolvimento local sustentável por meio do turismo e da valorização da cultura.

    – Sustentabilidade (http://www.sustentabilidade.org.br/) – muita informação sobre sustentabilidade, inclusive turismo.

    – Instituto EcoBrasil (http://www.ecobrasil.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=11&sid=5) – A sustentabilidade do turismo está entrando na agenda da OMT e dos gestores de destinos e assuntos ligados a sustentabilidade estão començando a ter …

    – Como certificar o turismo sustentável? (http://www.espacoacademico.com.br/037/37ebeni.htm)

    – Revista Turismo (http://www.revistaturismo.com.br/artigos/obrig-sustent.html) – Exemplos de locais que estão carentes de projetos comprometidos com a sustentabilidade no litoral sul da Bahia.

    – Turismo responsável (http://www.turismoresponsavel.tur.br/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=143) – A expressão “Sustentabilidade Ambiental no Turismo” reflete o … A rigor, a idéia de sustentabilidade no turismo também contempla e se aplica a qualquer …

    Outra dica interessante é você conseguir um exemplar da revista ESPM de março/abril deste ano em que o foco é turismo, lazer e gastronomia. Um raio-x deste setor econômico em nosso país muito bem elaborado.

    Enfim Daisy,

    nos mecanismos de buscas existe farto material sobre o assunto que não se esgosta, assim como não se deve esgostar os recursos para que o turismo seja a alavanca de nosso PIB para os próximas décadas.

    Espero ter ajudado,

    Abraços


  1. 1 PET reciclado: mercado brasileiro movimentou R$ 1 bilhão em 2007. « Estratégia Empresarial

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