Mercado de cachaça: A ordem é exportar.

02maio08

Com menos de 1% de sua produção anual de 1,3 bilhão de litros voltada para o mercado externo, a indústria brasileira de cachaça trabalha para ganhar espaço no mercado internacional. A meta é fazer com que os embarques representem 10% do total fabricado no País. Para chegar lá, o setor tem um longo caminho a percorrer, passando pela busca de reconhecimento de denominações de origem do produto nos EUA e na União Européia, além de um trabalho de divulgação da bebida e das formas de preparar a caipirinha.

Cachaça

Imagem: Apex Brasil

Na liderança desse processo, a presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) e diretora da Engarrafamento Pitú, Maria das Vitórias Cavalcanti, afirma que o exemplo a ser seguido é o da tequila, que virou febre internacional nos anos 1990 depois de passar por um agressivo trabalho promocional desenvolvido pelo governo mexicano e iniciativa privada.

A indústria da cachaça exporta hoje menos de 1% do que produz. O que é preciso fazer para chegar à meta de 10%?

Um por cento é pouco quando você pensa proporcionalmente. Mas, na verdade, são 11 milhões de litros. Não é tão pouco se pensarmos que o México exporta 60% da produção de Tequila, o que representa 120 milhões de litros. A minha empresa sozinha é responsável por 37% dessas exportações. É um número pequeno. Mas a produção nacional é muito grande: 1,3 bilhão de litros. O que precisamos é fazer um trabalho de divulgação. Quanto mais marcas, mais o produto será conhecido. O grande problema é que o produto não é conhecido e que não existe a categoria cachaça (no mercado internacional). No México foi feito um mutirão do governo com a iniciativa privada para ensinar sobre a tequila. Mas a ação teve um suporte financeiro que o setor de cachaça ainda não tem condições de arcar.

A tequila é o exemplo a seguir?

Para a cachaça o caminho que eles trilharam é o grande exemplo. Por que isso? Existem muitas coincidências. Era um produto de baixo valor agregado, produzido para as massas. Era um produto de grande volume e de baixo preço. O que aconteceu? As pessoas resolveram modificar isso. A grande diferença é que o volume deles, por maior que seja, 210 milhões de litros, não chega a um quinto do nosso.

O que o setor está fazendo para promover o produto no mercado externo?

A gente está trabalhando com o TTB (Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau, órgão do governo norte-americano responsável pela normatização da importação de derivados de fumo e de produtos alcoólicos), que atualmente classifica a cachaça como um tipo de rum. Eu fui a reuniões duas vezes. Na primeira, pedi a eles que não chamassem a gente de rum, que a gente era cachaça. Eles disseram: “No seu País, a cachaça é reconhecida como produto típico?”. Não era. Aí voltamos para o Brasil e fizemos o dever de casa. Conseguimos que o presidente Fernando Henrique fizesse o decreto nesse sentido. Como eu poderia pedir para reconhecer se aqui não era reconhecido? Por isso criamos o Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça).

Nos EUA e na UE o Ibrac busca o reconhecimento da denominação de origem para que apenas aguardentes de cana brasileiras possam utilizar o nome cachaça. É possível obter tal certificação para todo o Brasil, mesmo com a diversidade cultural e geográfica do País?

É possível. A gente vai tentar provar a importância que a cachaça tem para a cultura e a história do Brasil. Os EUA são um mercado muito forte. A definição do TTB sobre isso vai sair antes da União Européia. Se a gente conseguir, nos EUA, ser um produto típico do Brasil, já teremos caminhado 50% para chegar à Europa.

Via Jornal do Comércio/RS

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7 Responses to “Mercado de cachaça: A ordem é exportar.”

  1. Boa tarde!

    Tivemos uma chamada de nosso agente no Mexico, para enviar tequila para o Brasil, mais precisamente Rio de Janeiro.

    Não importamos porque o cliente no Rio de Janeiro, não tinha RADAR. As tradings que procuramos não quiseram fazer. Como poderíamos fechar esse negocio.

    Atenciosamente, Bruno Gutemberg

  2. Olá Bruno,

    eu não atuo na área de bebidas, mas acho que no link abaixo você conseguirá alguma coisa.

    http://brasil.acambiode.com/intercambio_ou_troca_alcoolicas.html

    Espero ter ajudado,

    Abraços

  3. Gostei muito dos assuntos relacionados. Gostaria, se possivel, um material sobre cachaça saborizada. Sou graduando de engenharia agronomica e gostaria de obter esse material para o projeto final.

  4. Olá Leonardo,

    entre em contato com o Instituto Brasileiro da Cachaça, o link encontra-se no próprio artigo acima.

    Abraços

  5. sou de um emgenho em araras SP Brasil e gostaria de saber como faço pra exportar meu produto, uma cachaça artesanal 100% organica.

  6. 6 Francieli

    Boa noite, sou graduanda em comércio exterior, estou fazendo um trabalho de exportação e decidi exportar cachaça. Gostaria se possível obter mais informações sobre o produto e para onde se exporta maia nosso produto tipicamente brasileiro.


  1. 1 Aguardente de frutas conquista clientela. « Estratégia Empresarial

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