Conheça a história da brasileira que ajudou a criar o Expedia, o 1º site de turismo da internet

21abr08

Soraya Cuba Bittencourt trabalhou na Embratel, onde participou do lançamento do primeiro satélite brasileiro. Nos EUA foi, respectivamente, diretora e gerente de desenvolvimento, da Lotus e da Microsoft. Depois, passou pela WebEx.com e Obongo.com, e foi diretora técnica sênior da America Online Time Warner.

Escreveu My Road to Microsoft, com a escritora americana Paula Martinac, lançado no Brasil como “Uma Vida de Sucesso“.

De olho em Gates.
É tradicional, na Microsoft, um jantar para a apresentação dos novatos a Gates. Na hora do cafezinho, após o discurso de boas-vindas do presidente, ela e outros 50 novatos correram para cumprimentar o chefe.

Soraya até chegou a falar com o novo patrão sobre o seu projeto, parcos 30 segundos, mas Gates não demonstrou interesse. Mandou que ela escrevesse para outra pessoa na companhia. Ali ela começou a planejar como faria para encontrá-lo novamente. Procurava sempre uma oportunidade de entrar no Edifício 8 do campus, onde ficava o escritório de Gates.

Observava se a Ferrari vermelha do patrão estava na garagem, anotava os hábitos dos seguranças.

“Sempre com o crachá de funcionária à mostra, para não levantar suspeitas”, diz.

O trabalho de campo indicou que seria impossível chegar ao homem mais rico do mundo. Mas mostrou, por outro lado, que talvez fosse possível entrar na sala dele aos sábados, quando a vigilância relaxava na ausência do chefe. O problema era que a porta de acesso ao tal Edifício 8 vivia fechada.

Soraya ia lá, testava a maçaneta como quem não quer nada, e a porta estava trancada. Um dia, porém, a porta abriu. Sem hesitar, a engenheira driblou o pessoal de manutenção, atravessou corredores desertos e chegou ao gabinete de Gates.

“Tinha ar de biblioteca e clube masculino.” Ali, teve tempo de depositar o CD-Rom sobre a cadeira do chefe.

Fazer Bill Gates se interessar por um negócio exige inteligência, competência e persistência. Penetrar no seu escritório, iludindo o sistema de alarme e os seguranças, exigeu audácia. Soraya Bittencourt entrou na sala de Gates numa tarde de sábado, em março de 1994, e pôs na cadeira do fundador da Microsoft um CD-Rom acompanhado de seu cartão de visitas e um bilhetinho:

“Prezado Sr. Gates, eu sei que se vir o conteúdo ficará interessado. Gostaria de expor-lhe minhas idéias sobre como a Microsoft poderá revolucionar a indústria do turismo”.

Quando se preparava para sair, um segurança entrou na sala e interrogou-a rispidamente, levando o CD com ele.

“Pensei que perderia meu emprego”, diz Soraya, que já era funcionária da companhia.

Durante semanas, não soube nada sobre o disco, até que uma das executivas da Microsoft convidou-a para uma reunião e lhe disse, displicentemente, que a empresa estava interessada no mercado de viagens.

“Você não quer fazer parte desse time?”, perguntou.

Soraya percebeu de imediato que a ordem vinha de Gates.

“Claro”, respondeu. “Quando iniciamos?”

Mas antes, o passado. Gates, segundo Soraya, é aquilo que falam dele: um gênio da tecnologia e dos negócios, impiedoso quando se trata de manter sua empresa competitiva.

As histórias sobre apresentações internas que resultavam na destruição inclemente de idéias aparentemente brilhantes abundavam na Microsoft. Assim, a preparação da apresentação sobre o serviço de turismo foi um trabalho árduo, sem folgas, que consumiu três meses.

“Fazíamos e refazíamos tudo com o maior cuidado, atrás de imprecisões que nos embaraçassem”, diz ela.

Valeu a pena. Gates aprovou a idéia e colocou dinheiro no projeto, que se estendeu por mais de dois anos. Nesse espaço de tempo, o CD-Rom foi desbancado pela internet e todo o trabalho teve de ser refeito.

Em outubro de 1996, foi lançado o Expedia, o serviço de turismo da Microsoft. Um ano depois, o faturamento mensal era de US$ 12 milhões.

O salário de Soraya melhorou com o lançamento da nova divisão de turismo da Microsoft. Foi acrescentado a ele o incentivo milionário das ações, que maturariam dali a quatro anos. E foi então que a Microsoft, em 1996, por questões fiscais, decidiu fazer do Expedia uma empresa – e preteriu Soraya na escolha de seu CEO.

“Acho que pesou o fato de eu ser mulher, imigrante e gay”, diz ela.

Jamais conseguiu se entender com Richard Barton, o escolhido. Na comunidade de tecnologia americana, Soraya é reconhecida como uma das criadoras do Expedia, o primeiro site de turismo da internet.

Leia a matéria completa com a carioca Soraya Bittencourt na revista Época Negócios de dezembro de 2007 – aqui.

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2 Responses to “Conheça a história da brasileira que ajudou a criar o Expedia, o 1º site de turismo da internet”


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