Declaração de Nizan Guanaes: ABC. O Brasil mais internacional é o Brasil mais nacional.

03abr08

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Você pode gostar ou não gostar de mim. Mas você ganha com o que eu estou fazendo. O ABC é o Brasil no mundo.

E não só assistirmos ao mundo dominando o Brasil. O mercado brasileiro é totalmente dominado pelas multinacionais. As Big Four têm 57% do mercado mundial.

Com tamanho volume nenhum cliente, nenhum profissional brasileiro é insubstituível para elas. Com tamanho volume tudo é substituível. E como o grande volume de negócios fica na parte de cima do mundo eles podem dar os países debaixo do Equador de brinde aos clientes.

Só que agora com os BRIC não é mais assim. Pra entrar na China é preciso ter um parceiro local. Na Índia também. Na Rússia também. Vamos lá, gente, chegou a nossa hora. Nós temos que fazer o mesmo no Brasil. Renacionalizar nosso mercado.

Não estou dizendo que aqueles que venderam suas agências estão errados. Eu sou um deles. Eu vendi a DM9 ao grupo DDB. E tenho a maior admiração pelo John Wren, Martin Sorell e Maurice Levy. Sou parceiro do Grupo DDB e quero continuar sendo sempre.

Só que eu também tenho admiração pelo Geraldo Alonso, Mauro Salles, Petrônio Correa, Alex Periscinoto e Luis Macedo. E acho que nós (eu muito, inclusive) fomos relapsos com a obra deles. E temos que nos agruparmos para defender nosso mercado. Está na hora de deixar de ser burro, de deixar de desvalorizar nossa classe. E colocar os pingos nos is.

O Marcello Serpa não é o melhor diretor de arte do mundo? É. Washington Olivetto não é o melhor criativo brasileiro de todos os tempos? É. A campanha da Skol não é uma obra-prima? É. O Luca Cavalcanti não deu uma virada no Bradesco com o seu talento e do Alexandre Gama? Deu.

Então, vamos ser inteligentes e celebrar a excelência do nosso trabalho. Porque excelência do trabalho alheio, também, afirma nossa profissão. Está na hora de comprar. E não de vender. De se juntar, de investirmos juntos. E não de nos dividirmos. De comprar empresas lá fora. De colocar o Brasil no mundo. Eu nunca vi um sujeito tão espetacular como o Dalton Pastore. O sujeito é um líder, uma pessoa íntegra e o líder que pode com a serenidade e a paciência dele liderar a nossa indústria. Então está na hora de nós nos juntarmos em torno dele. E esquecendo nossas diferenças pensar no Brasil.

Como o Japão pensa no Japão (e o Japão tem o modelo do Brasil).

Não é à toa que as duas únicas empresas não anglo-saxônicas na lista dos 10 maiores conglomerados de comunicação são japonesas. É preciso que outros grupos como o ABC e o Grupo Total consolidem a propaganda brasileira. Vamos aproveitar o Real forte. Vamos proteger nosso mercado.

Bureau de mídia, o cacete. Viva o Conar, a BV, e tudo de bom que estas instituições construíram. Todos os negócios do mundo têm BV. Inclusive os bureaus de mídia.

Desafio. E quero saber qual é a empresa que não tem BV? Que se apresente aquela que não, que eu quero debater com ela. Sei que me exponho em fazer isto. Mas se todos nós temos que morrer um dia… que seja pelo menos por uma boa causa. E se nós não defendermos nossa profissão vamos morrer do mesmo jeito.

Senhores, vamos ao mundo. O grupo ABC já é um dos 50 melhores grupos de marketing do mundo. Como será brevemente publicado pela AdAge. Eu quero ser um dos 10 maiores. E que vantagem você leva com isso? Se você trabalha na Omnicom, na WPP, na Publicis e na Interpublic, quanto mais competição, mais valorizado você é. Se você não trabalha, idem.

Vamos lembrar mais uma vez que essas empresas competentemente controlam 57% do mercado mundial. E que as únicas empresas não anglo-saxônicas entre as 10 maiores são a Dentsu e Hakuhodo. São por quê? Porque o Japão adotou o modelo brasileiro. Então vamos atrás dos japoneses.

Tenho trabalhado com gente altamente madura na publicidade. Luiz Lara, Roberto Justus, Sergio Amado, Bob Costa, Petrônio Correa, nosso fabuloso Dalton Pastore e mais recentemente Adriana Cury. Vocês não têm idéia do tempo e dedicação que esses caras têm dado ao negócio de propaganda. Muitos deles trabalham em múltis, mas amam nosso mercado. Porque amam suas profissões. E é isso que temos de fazer, profissionalizar a publicidade.

Pensarmos como empresários. Porque só um mercado forte pode proteger a criatividade brasileira e torná-la competitiva no mundo.

Arigatô!

[via Propmark]

Como de costume um excelente texto de um excelente redator e publicitário e, como estamos vendo, um empresário visionário e com uma baita vontade de vencer. Porque os limites podem ser ultrapassados sempre.

E na posição que ocupa vem fazendo o seu papel: instigar, cutucar aqueles que se acomodaram nos louros em terras tropicais. Realmente, porque não ir além?

Em entrevista ao editor Maurício Lima da revista Exame, o empreendedor Nizan Guanaes diz como quer transformar o grupo que dirige, o ABC, num dos maiores do mundo, e seu desafio é estabelecer uma cultura de gestão eficiente

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8 Responses to “Declaração de Nizan Guanaes: ABC. O Brasil mais internacional é o Brasil mais nacional.”

  1. 1 JAILTON SANTOS

    QUERO QUE NIZAN GUANAES VEJA MINHAS IDÉIAS (PROJETOS) E FAÇA UMA AVALIAÇÃO DA POSSIBILIDADE De VIABILIDADE DE MERCADO DELAS. ACREDITO QUE ELE SEJA RELMENTE O QUE DIZ, OU SEJA, “AS IDÉIAS SÃO O QUE ELE VALORIZA”. FOI MAIS OU MENOS ISSO, QUE ELE FALOU EM UMA ENTREVISTA. ESTOU COM MUITAS IDÉIAS – PROJETOS SÓ ESTOU PRECISANDO DE MEIOS PARA COLOCÁ-LAS EM PRÁTICA E OBTER RESULTADOS (GANHAR E FAZER PESSOAS GANHAREM DINHEIRO). ACREDITO MUITO EM MIM. SÓ ESTOU PRECISANDO DE UMA OPORTUNIDADE.
    NIZAN SOU BAIANO E BAIANO QUE É BAIANO NÃO NASCE BURRO E TEM E MUITO A MOSTRAR. ACREDITE1 VOCÊ NÁO VAI SE ARREPENDER.
    ATENCIOSAMENTE,
    JAILTON SANTOS

  2. 2 JAILTON SANTOS

    AGUARDO RESPOSTA.
    JAILTON SANTOS

  3. Olá Jailton,

    eu não tenho nenhum vínculo com o Nizan e tampouco com alguma empresa dele ou pessoas ou empresas citadas aqui no blog.

    As notícias colocadas aqui no blog são por pura identidade da minha pessoa e por gostar profissionalmente do ambiente de negócios.

    Acredito que existem cários caminhos para você tentar chegar até ele, ou mesmo a algum executivo ligado a ele. Não é fácil chegar até ele, porque existem diversos filtros, mas como vc mesmo disse…tem que acreditar…

    Ele tbém é um baiano e veio até São Paulo batalhar um lugar ao sol. No começo achou um investidor que acreditou em suas idéias e chegou onde está por puro talento.

    Agora, é um baita empresário não somente da área de comunciação.

    Como fazer isso?

    Existem algumas formas que acredito que sejam possíveis:

    Site de uma de suas agências:

    Africa:
    http://www.africa.com.br/

    ou vc procurar outras agências do Grupo ABC. É tentar entrar em contato e batalhar um lugar ao sol.

    Espero ter ajudado, se precisar estou à disposição. Boa sorte!

    Abs

  4. Antes de mais nada. Eu gosto de vc, mas gostaria de deixar claro algumas coisas que discordo.

    ABC não é “solução do Brasil”. Pode ser “seu sonho” ou “sua solução”, pois nada mais é que uma multinacional com uma roupagem diferente.

    Admiro os nomes que citou, cada um com seus pontos positivos e negativos, mas existem infinitos outros nomes desconhecidos dos “Mega-Super-Afamados-Publicitários” que esses sim, fazem a diferença pois nunca venderam empresas para multinacionais, nunca utilizaram de “nomes e potencias” para sobreviver e ganhar mega contas…

    Não que não as desejamos, mas também sabemos que não é somente competências que ganham grandes contas.

    “Então, vamos ser inteligentes e” continuar celebrando nossa independência com um carater irrepreensivel que nós pequenos temos. Nossa briga náo é somente em procurar ser o melhor, com nossas habilidades, estruturas enxutas, equipe comprometida, etc. Nossa briga também envolve não ser “engolido” pelos grandes que não se dão conta da nossa importância no mercado.

    Interessante que vc fala sobre “se juntar e não dividir” mas na prática a história é outra, pois a sensação que sempre tenho(mos) é que vcs fazem questão de dividir entre vocês e nós.

    Sempre que existe uma possibilidade de nos “juntarmos”, as “Mega-Super-Afamadas-Agências” ao invés de, praticar o seu discurso, com empresas já segmentadas, especializadas, e competentes, o que fazem? Resolvem montar uma, comprar uma ou acabar com uma. Isso que se chama nacionalizar? talvez seja no pais das maravilhas das “Mega-Super-Afamadas-Agências”!!!

    Quantas e quantas vezes tivemos que reestruturar nossos negócios, repensar nossas atividades ou demitir pessoas porque vcs resolveram “nacionalizar”? A ganância e ou o monopolio sempre fez parte do jogo “de vcs”.

    Acho um pouco mediocre esse raciocinio unilateral. Mas fazer o que…estamos (ainda) na Lei de Vencer o maior e náo o melhor.

    Fomos a primeira empresa a trabalhar o sistema de coligadas no segmento de marketing, fomos a primeira agência de marketing a investir no mercosul, temos trabalhos 100% focados em multinacionais (GM, Ford, Citibank, etc) e aposto que nunca nem ouviu falar de nossa empresa. Sabe porque? Os olhares só atendem a “umbigos maiores”.

    Uma das grandes descrições que gostei nos últimos tempo foi da Agência Taxi do Canadá, sobre o motivo de seu nome, fazendo analogia aos grandes Ônibus (“Mega-Super-Afamados-Agências”), desconfortáveis, pesadas, dificeis de manobrar e lentas.

    Isso pra mim é a verdadeira história da realidade de vcs.

    BV? Todos cobram sim…
    Viva o Bureau de Midia!!!! Porque eliminá-las? Isso somente (continua o umbigo) privilegia a vcs.
    Respeito o Conar, mas deveriam olhar para a mioria das agências que fazem com que o segmento seja mais respeitado.

    Eu sempre me deparo no mercado com empresas que depois de passarem pelas megas, temos que aliviar o trauma…rs e faço também um Desafio. O que vcs tem de melhor que minha agência e tantas outras no mercado? fora dinheiro, estrutura e numero de funcionarios (boa parte hipocrita), no que tange a competencia, garanto que termos longos papos.

    Sabe uma das visões de nossa empresa? Não queremos ser os maiores e sim os melhores. Conquistamos muitos prêmios EXPONTÂNEOS que nos orgulhamos, e tantos outros (nem tão expontâneos assim – acho que me compreende – nem queremos tê-los). Coitado dos clientes que acreditam que prêmios é resultado de qualidade. Quanta hipocrisia né?

    Parábens pela AdAge. Você diz que “quero ser um dos 10 maiores”. Eu quero continuar entre os 10 MELHORES.

    Foi muito competente ao comentar sobre os grupos ao dizer que os mesmos CONTROLAM 57% do mercado mundial. Uma coisa bem “competitiva” né? (rs)

    Gostaria de finalizar que admiro sua capacidade, sua criatividade singular. Pude explanar sobre isso ao ser procurado por sua equipe sobre um de nossos produtos.

    São poucos os nomes que admiro no nosso mercado e vc esta entre eles com destaque. Espero que compreenda (se receber) meu email como forma construtiva. Se tiver dúvidas, estou a disposição

    sds

    Vinicius
    TGi Group

  5. Olá Vinícius,

    também sou publicitário, mas atualmente atuo na área em uma multinacional – do outro lado do balcão – concordo em quase a sua plenitudade o que diz e acho que devemos sim olhar com carinho atitudes como a do Nizan e principalmente a de pubicitários empresários como você.

    O mercado não somente o da comunicação é previsível e imprevisível e em muitos casos nenhum pouco cordial e amigável. Em diversos momentos sobressai o maior e mais capitalizado.

    Mas, felizmente, ainda vemos execelentes profissionais fora de grandes agências, multinacionais, e principalmente, dos grandes centros.

    Quanto aos Bureaus de mídia, concordo com Nizan e muitos da área também. Eles não fazem muito bem ao mercado não e acho devastador a sua atuação. Veja o que aconteceu em outros mercados, mais próximo a Argentina por exemplo.

    Quanto ao BV em si, após muita briga ele vai continuar, mas acho que ele é contra-producente em sua concepção. Acredito que ainda as agências deveriam cobrar o preço real de seus serviços. Difícil situação, principalmente o interior o BV ainda e a maior fonte de renda das agências em sua maioria.

    De qualquer forma obrigado por deixar as suas impressões aqui no blog.

    Abs

  6. Provavelmente,o web marketing,SEM e correlatos,está fazendo as grandes agências se preocuparem com seus BV.Afinal,é nesse plus que eles enriquecem.No instante que a internet e isso já está se tornando realidade,tornar-se definitivamente um veículo de comunicação comercial,os BV serão extintos,certamente e fatalmente.Para mim o mais paradoxal é que a Tv digital irá ser a ponte dessa transição,que pode assim,migrar as grandes contas dos anúncios de tv para os de Web.

  7. Olá Leandro,

    obrigado por deixar a sua mensagem aqui no blog. Seguem algumas considerações, para complementar o seu raciocínio:

    Como disse antes, a concepção do BV acaba sendo contra producente, mas se eu fosse proprietário de uma agência, obviamente, que iria querer continuar receber meu quinhão no BV.

    Na realidade o BV em grandes anunciantes já está extinto faz um bom tempo. Aliás, em alguns grandes anunciantes nem mesmo na produção as agências estão cuidando.

    O que vem acontecendo é que as agências devem cobrar o real valor daquilo que é mais precioso e raro hoje em dia: a criatividade, afinal, se bastasse dinheiro para ter isso as Casas Bahia teriam a maior agência do Brasil.

    Então, diminui a questão do BV, mas aumenta os valores cobrados pelas agências, o fato é este e isso o que deve ocorrer em um futuro próximo. E vem ocorrendo.

    Quanto a TV digital ainda isso é bem nebuloso, mas uma coisa é certa: os veículos, digo Globo, Record, SBT vão se tornar bancos. Pode apostar. Vão se tornar um balcão eletrônico enorme e dispostos a financiar as vontades de seus consumidores.

    A plataforma internet ainda é incipiente em nosso país, deve estar com um pouco mais de 3% do bolo publicitário e está crescendo exponencialmente, mas ainda a mídia TV é e deve continuar forte por um bom tempo.

    Ainda temos muitos “analfabetos digitais” em nosso país, e esta inclusão digital com as facilidades na compra de um primeiro PC vem aumentando esta lacuna.

    Um exemplo: tenho muitos acessos em meu blog em que as pessoas acreditam que eu sou o Eike Batista pelo fato de estarem lendo um artigo dele aqui. Pode apostar que isso é diário…e é só comigo? Não, a maioria dos blogueiros concordam comigo e em seminários isso é latente. Dos 42 milhões de internautas brasileiros eu arriscaria que mais da metade não entendem ainda todo este processo que é a internet. E olha que mais da metade deste contingente não sabe nem fazer uma pesquisa mínima em um mecanismo de busca. Tire o Orkut e o MSN desta maioria e eles não vão saber o que fazer na internet.

    Esta é a realidade que eu vejo hoje. A plataforma internet como uma mídia imprescindível para construção de marca, vendas, mas que ainda a grosso modo é uma balela. O negócio é esperar as Casas Bahia educar todo este povo pra quem ela vende os PCs.

    Então marketing online é somente para as classes A e B neste país?? Pode apostar que sim. As desigualdades existentes no mundo off-line ainda persistem no mundo online.

    Abraços


  1. 1 Nizan Guanaes: “Quero que o Brasil seja temido criativamente” « Estratégia Empresarial

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