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Crise financeira internacional por Roger Agnelli (Presidente da Vale)

Reuters

Imagem: daylife.com - crédito:Reuters

O presidente da Vale, Roger Agnelli, afirma que a empresa passou os últimos anos reduzindo despesas e treinando pessoas e, por esse motivo, está prepara para o “inverno” econômico. Agnelli – que voltou recentemente de uma viagem pelo Canadá, África e Europa – diz que se sentiu revigorado ao perceber que as minas da Vale e a própria economia real continuam funcionando bem apesar da crise.

O executivo admite que revendedores de minério e as siderúrgicas passam por um momento de desestocagem. Sem ter acesso ao crédito, essas empresas precisam gerar liquidez e vender produtos a qualquer preço. Ele acredita, no entanto, que esse movimento será revertido em breve e que, com paciência, será possível conseguir o reajuste de 12% para o minério de ferro vendido à China.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva concedida por Agnelli a EXAME:

EXAME – O senhor acaba de chegar de um giro mundial por Canadá, África e Europa para sentir o ambiente internacional. Com quem o senhor falou e qual o resultado da viagem?

Roger Agnelli – Quando a gente fica aqui sentado, olhando as coisas acontecerem, você sente a crise de forma mais intensa. Quando você sai para ir aos lugares onde realmente estão acontecendo, você volta com o pensamento completamente diferente. Por exemplo: eu estava aqui há um mês, o mercado com aquele nervosismo, aquela coisa toda, e o mundo vai acabar, etc. O que eu fiz? Fui embora para Carajás. Fui ver as operações e toda a parte de desenvolvimento sustentável, a parte de projetos sociais que a gente está desenvolvendo lá nas áreas de Carajás e quando eu volto, eu volto completamente diferente, revigorado.

EXAME – Só que aí depois você foi para a Europa e para o Canadá.

Agnelli – [risos] Eu sei. O mercado já ia ajustar. Aí que fui ver as operações em Minas Gerais e vi um projeto que a gente vai inaugurar agora no final de ano, que é Itabirita, uma pelotização gigantesca, mais de um bilhão de dólares foram investidos ali. Quando você olha isso, você fala: “gente, o mundo existe”. Aí eu voltei. Aí eu fui para o Canadá. Conversei com o pessoal, vi como estavam os clientes, vi como estava o mercado, como é que estavam as perspectivas, os investimentos. Passei em Nova York, fiz uma reunião com a Exxon e a IBM, conversamos um pouco sobre o mercado, recursos naturais.

EXAME – São clientes?

Agnelli – Não, esses são amigos. Conversamos bastante, vendo as perspectivas.

EXAME – E o que eles falaram?

Agnelli – Todas as grandes empresas, principalmente as empresas de recursos naturais, a gente está sempre olhando em longo prazo. O que acontece no curto prazo, você tem de estar pronto para esse tipo de chacoalhada nos mercados. Aí de Nova York eu fui embora para Moçambique, vi o projeto de carvão e os projetos sociais de Moçambique. O ponto todo é que de onde eu estava, eu ligava para ver se ainda a Baía de Guanabara estava aqui, se Ipanema existia. E todo dia eles diziam que Ipanema existia e que a Baía de Guanabara continuava aqui. A questão toda de crise, a questão do que está acontecendo nos mercados hoje é que se você ficar muito fechado, muito interno, você acha que é o fim do mundo. Se você sair e ver que o mundo ainda continua existindo e que isso é uma fase de curto prazo, que a gente vai ter de passar por ela, que é uma ajuste que a gente tem de passar, eu acho que fica tudo mais fácil de você interpretar.

EXAME – Mas no Canadá, na Europa o cenário foi de redução de demanda ou não?

Agnelli – O cenário do mundo inteiro, todos os setores de atividade é um cenário de crise. Ninguém vai passar ao largo disso. Isso é uma realidade que todo o mundo tem de encarar.

Leia entrevista completa da repórter Malu Gaspar no Portal da revista Exame do dia 31.10.2008 - Link

Leia mais sobre a crise financeira internacional aqui no blog:

28.10.2008: Crise financeira internacional por Carlos Ghosn, o brasileiro presidente da Renault-Nissan

27.10.2008: Crise financeira internacional por Cledorvino Belini (Fiat)

27.10.2008: Crise financeira internacional por Marlin Kohlrausch (Calçados Bibi)

23.10.2008: Crise financeira internacional por Joel Malucelli (Grupo J. Malucelli)

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17.10.2008: Warren Buffet: “Seja medroso quando todos são gananciosos e ganancioso quando todos são medrosos”

13.10.2008: Crise financeira internacional por F/Nazca Saatchi & Saatchi

12.10.2008: Crise financeira internacional e o Brasil por Stephen Kanitz

12.10.2008: Vídeo: governo Lula e a crise financeira internacional por Arnaldo Jabor

09.10.2008: Relógio da Dívida Nacional americana ultrapassa os US$ 10 trilhões

03.10.2008: Financiamento de carros: a diferença entre Brasil e EUA em meio à crise

14.04.2008: Entenda o Subprime. Um mercado estúpido e ganancioso dos EUA

04.04.2008: A economia chinesa vai desacelerar?

27.01.2008: Brasil: Demanda interna é o que interessa

Empregos: Procuram-se 62.000 funcionários. Falar com a Vale.

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Se depender da Vale não vai levar tanto tempo assim como na charge acima, afinal, a partir deste sábado 23.03, a empresa iniciará a primeira campanha global de recrutamento de funcionários por uma empresa brasileira.

Só neste ano de 2008 serão mais de 6.000 contratações. Deste montante de 62.000 contratações, 33 mil serão empregados diretos da empresa, outros 29 mil serão colaboradores de companhias terceirizadas.

Ficou interessado? Então entre no site da Vale, clique em “Pessoas” do lado esquerdo da tela e clique onde desejar para cadastrar o seu CV. Se preferir entre direto aqui.

Leia mais no Estadão , na Folha ou no Jornal do Brasil.

Vale: Como investir US$ 18 bilhões, ou R$ 30 bilhões, pelo câmbio atual e obter o retorno em 18 a 20 meses.

cvrd-inco1.gifInvestindo em seu próprio core-business, a mineração mundial.

Com a aquisição da mineradora canadense Inco a empresa se beneficiou da forte alta do preço do níquel.

Em 2007, a companhia já conseguiu receber da subsidiária US$ 7 bilhões, sendo US$ 2,2 bilhões em dividendos e o restante em receita com a venda de níquel.

“No caso da Inco, o preço do níquel subiu muito, é muito volátil. A gente não achava que o preço do níquel pudesse bater US$ 55 mil por tonelada. Foi muito além do a gente estimava, o retorno foi muito mais rápido. Quando se investe, os primeiros meses de retorno são os mais importantes, em termos de caixa”, observou Roger Agnelli, presidente da Vale.

Para Agnelli a aquisição da Inco foi uma das melhores aquisições já feitas na indústria de mineração mundial. Com retorno desses deve ser mesmo!

Com a possível compra da Xtrata, o executivo evitou fazer previsões.

“Não é razoável imaginar que consegue se fazer esse tipo de investimento sempre. Tem que contar um pouco com a sorte. Não há nenhuma expectativa similar à Inco”, completou.

Em 2007 a consultoria Economática indica que o lucro líquido da ermpresa chegou a R$ 20 bilhões para uma receita de R$ 64,76 bilhões. Um recorde nos últimos 22 anos para uma empresa de capital aberto, excluindo do estudo para comparação a Petrobras.

O mercado de níquel

Cerca de 65% a 70% da produção de níquel é hoje empregada para a fabricação de aço inoxidável, sendo o restante utilizado para a confecção de baterias, catalisadores e outras ligas.

Via Folha e Estadão

A China pode atrapalhar os planos da Vale em adquirir a Xtrata.

Pelo visto não é somente o governo brasileiro que poderia estragar os planos da Vale na compra da Xtrata.

Governo chinês quer evitar mais concentrações na área de mineração como forma de evitar mais elevações em minério de ferro. Parte deste processo já começou.

Faz todo sentido e dinheiro com força política não faltam.