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Entrevista com empresário Eike Batista: “não tenho medo de investir”
A entrevista é uma excelente oportunidade para analisar um pouco o que pensa o empresário , investidor e grande estrategista do mundo dos negócios e brasileiro mais rico do País.
Gazeta Mercantil – Com o sucesso da negociação com a Anglo American, qual é agora o carro-chefe do grupo?
O petróleo. Tem escala gigantesca, umas 50 vezes maior que a mineração. É um business diferente.
Gazeta Mercantil – O senhor gosta de risco. Um exemplo foi entrar como entrou, com altos lances, no leilão de petróleo …
Não nos importamos em gastar US$ 50 milhões para pesquisar alguma coisa; é óbvio que temos uma leitura do eventual potencial, mas só tem resultado final depois de arriscar.

Antonio Petruccelli (1907 – 1994)
Gazeta Mercantil – Quais os planos do grupo na mineração?
Temos a AVG e a Minerminas, área de exploração de bauxita e urânio que obviamente estamos interessados. Na AVG e Minerminas vamos elevar de 6 milhões para 20 milhões de toneladas a produção até 2010. Recebemos, por semana, cerca de 20 propostas de áreas para avaliação e estamos avaliando agora aproximadamente 20.
Gazeta Mercantil – E a produção de Corumbá?
É uma perna importante para o nosso Porto Brasil, porque precisamos de carga própria para conseguir licenças. Temos quatro interessados em comprar um pedaço. Estamos fornecendo minério para a usina de gusa, que são 600 mil de toneladas. Neste ano vamos produzir 2 milhões de toneladas das quais 1,4 milhão para exportação.
Gazeta Mercantil – Os interessados no negócio fazem parte dos clientes atuais?
Também.
Gazeta Mercantil – No negócio com a Anglo, a operação de logística ficou com a LLX?
Nós não vendemos 51% do Porto de Açu, pertencente à mineração. Eles ficaram com 49%. Então, a Anglo quer que sejamos responsáveis por colocar o sistema Minas-Rio em produção da mesma maneira que colocamos o sistema Amapá; eles querem a nossa equipe completa. Por isso me mantiveram como CEO. Será a primeira receita da LLX. Por isso existe essa simbiose, estamos totalmente interligados. E uma das razões da venda, nessa simbiose, era a capitalização para continuar desenvolvendo a logística, porque o Porto do Açu vai se tornar um megaporto industrial.
Gazeta Mercantil – Qual investimento no Porto de Açu, Norte Fluminense?
São US$ 700 milhões e no Porto Brasil serão US$ 2,5 bilhões.
Gazeta Mercantil – O projeto do Porto Brasil, na região de Peruíbe (SP), se mantém, mesmo diante das dificuldades ambientais e com a comunidades indígenas da região?
Dificuldades sempre se tem. Trabalha-se, faz-se estudo, se estiverem errados faz-se de novo. Não fazemos nada errado, não precisa.
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Clique na imagem para ver melhor o projeto do Porto em Peruíbe
Gazeta Mercantil – Com relação à legislação brasileira, o governo está preparando um marco regulatório para o setor de mineração. O senhor tem participado do assunto?
É o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) que participa, mas acho que tudo tem que ter suas regras.
Gazeta Mercantil – A cobrança de royalties na mineração no Brasil é considerada mais barata que em outros países. Isso atrai investimentos?
O problema é que é o royaltie e mais o imposto de renda. A carga final é o que interessa. A busca do Brasil é pelo fato de ter o melhor minério de ferro do mundo.
Gazeta Mercantil – Onde estão acontecendo essas pesquisas?
No Amapá, Amazonas, Minas Gerais, Goiás, Bahia e também no Mato Grosso.
Gazeta Mercantil – As quatro empresas com as quais vocês estão conversando para comprar parte de Corumbá são do exterior?
Três são de fora, uma está no Brasil.
Gazeta Mercantil – A expectativa é fechar o negócio até quando?
Nos próximos seis meses deve sair.
Gazeta Mercantil – Os preços do minério de ferro estão em alta, qual a tendência?
Os preços não vão recuar porque os minérios acabam. Os de alta qualidade não existem mais. O chinês lavra o minério de 10% de teor. Eles raspam o tacho. Não existe mais hoje o granulado. A maior jazida de granulado que sobrou é da Rio Tinto, em Corumbá. Então, cuidado, se US$ 10 era o custo, pode começar a olhar para US$ 20.
Gazeta Mercantil – A origem de tudo foi o ouro, quais os planos para o ouro?
Volto a qualquer hora. Estamos olhando a área de ouro.
Gazeta Mercantil – Vocês estão investindo na exploração de bauxita, podem avançar nesse negócio?
A bauxita está nos planos, mas para exportação. Os preços de energia desestimulam investimentos em alumínio.
Gazeta Mercantil – Já há projetos direcionados para o porto de Peruíbe?
Mineração de Corumbá, etanol, tem produtores de álcool que querem sua produção independente e estão interessados em fazer um álcooduto e vai virar um megaporto de contêineres porque Santos vai entrar em saturação. O Brasil pode dobrar sua produção de commodities. Nós somos complementares para essa carga toda que o Brasil pode vir a exportar.
Gazeta Mercantil – Os interessados serão sócios no porto?
Não, vão arrendar. O modelo de negócio da LLX é tarifa de manuseio do porto e arrendamento industrial da área.
Gazeta Mercantil – Quem serão os sócios para tocar os 21 blocos arrematados no leilão da ANP?
Gazeta Mercantil – Quais os planos para a OGX?
Queremos abrir capital aqui a um valor de provavelmente US$ 12 bilhões antes da captação e queremos captar uns US$ 2 bilhões.
Gazeta Mercantil – Há fôlego para participar do próximo leilão?
Isso temos sempre. Não paramos.
Gazeta Mercantil – O grupo também está construindo hospital para empresas particulares, negocia o Hotel Glória…
Estamos negociando o Hotel Glória. A idéia é transferir a sede da empresa para lá, além do funcionamento do hotel. Vamos fazer uma reforma para voltar a estrutura que era em 1920. Essa engenharia deve custar R$ 60 milhões.
Gazeta Mercantil – Quais os projetos sociais da companhia?
Temos alguns, um deles o projeto de despoluição da Lagoa. Construção de hospitais. Esses projetos vão aumentar. Mas vamos fazer as coisas organizadamente.
Gazeta Mercantil – A ousadia foi característica fundamental para erguer o patrimônio de US$ 16 bilhões?
Não tenho medo de investir e, como venho da área de ouro, onde a taxa de acerto é de 17 mil para 1, se me apresentam um negócio com 30%, 50% de taxa de acerto então é ótimo.
Gazeta Mercantil – Como pretende multiplicar esse patrimônio?
Com investimentos em petróleo, logística, energia. Mineração tem menor participação nesse crescimento porque as reservas são limitadas.
Gazeta Mercantil – Quem serão os parceiros no petróleo? São as maiores do mundo?
Tem uns chineses gigantes, indianos gigantes. Emergentes.
Gazeta Mercantil – E a Shell?
Bons sócios (risos).
Gazeta Mercantil – E a ExxonMobil?
Gente boa (risos).
Gazeta Mercantil – E os investimentos no exterior. Na Bolívia, por exemplo?
A Bolívia nos interessa porque tem muita energia. O Evo fez o que tinha de fazer. Quis quebrar um centenário de exploração desenfreada do país dele. Aquilo era uma espoliação e alguém tinha que entornar o caldo. E o bom é que é um cara honesto, que quer o bem mesmo. Pensamos em investir lá em energia e siderurgia. Gerar energia térmica para o Brasil. Nos interessa entrar na exploração de gás.
Gazeta Mercantil – A OGX vai entrar como, por meio de licitação ou de negociação com outras empresas?
Vamos conversar com a Repsol, que está sentada em cima do poço, em campos como, acho que são, San Alberto e Margaritta. Estamos encaminhando conversas.
Gazeta Mercantil – Quais as perspectivas econômicas para o Brasil?
Espetacular. Se eu estou vendo a possibilidade de dobrar o volume de produção agrícola em sete anos, teremos um crescimento expressivo. Temos uma economia ainda muito pouco alavancada. O Itaú, por exemplo, só tem 12% da carteira alavancada em imóveis. Imagina o que tem para crescer.
Gazeta Mercantil – E a projeção para o crescimento do PIB?
O problema de crescer demais são os gargalos. Na construção civil, há um problema de falta de energia. E falta também cimento.
(Sabrina Lorenzi e Rita Karam – Gazeta Mercantil)
Atualização em 03.09.2008:
Agência Estado/Portal Exame: Empresa de Eike Batista suspende investimento em SP
Porto Gente: LLX deixa Peruíbe e futuro do Porto Brasil é incerto
Atualização em 24.10.2008: Após a palestra na Casa do Saber – RJ, Eike Batista deu uma palhinha para a Endeavor sobre empreendedorismo com toda sua genialidade.
Atualizado em 11.11.2008: Eike Batista descarta de vez o Porto Brasil
Depoimento EIKE BATISTA sobre Empreendedorismo
Casas Bahia. Os maiores compradores de caminhões do Brasil. Entenda os motivos.
Esta semana foi divulgado que o maior varejista brasileiro concluiu a compra de 1.050 caminhões da Mercedes Benz. As entregas começam no mês que vem.
A escolha da Mercedes Benz foi definida por causa das características técnicas de seus caminhões, como economia de combustível, qualidade dos caminhões e o pós-venda oferecido pela MB e sua rede de concessionários. A parceria foi conquistada ao longo de 25 anos.
O modelo Accelo 915 C foi desenvolvido em conjunto com a rede.
“Ele foi desenvolvido em parceria com a Casas Bahia e também será apresentado a outros clientes”, comentou Gilson Mansur, diretor de vendas de veículos comerciais para o mercado interno da MB.
Para a Mercedes Benz, além de ser seu maior cliente individual, a varejista possui a maior frota de veículos de transporte MB da América Latina.
“Dedicação total a você”. Com este slogan a varejista entende que o atendimento ao cliente envolve todas as fases de seu negócio, que vai da pré-venda ao pós-venda, incluindo, claro, a entrega, momento mágico que o cliente ansioso recebe em sua casa o móvel ou a geladeira, segundo seu principal executivo Michael Klein.
Para Klein,
“Nosso negócio não é só dar crédito. Cada venda é uma conquista, um cliente a mais. É claro que tem o aspecto do lucro, mas isso é decorrência do negócio.
E acrescenta:
“Cada caminhão tem três pessoas nossas – motorista e dois ajudantes – e, como tal, envolvidas no processo de envolvimento total do cliente. Com pessoal terceirizado não teríamos esse envolvimento.”
A logística acaba cumprindo uma etapa importante na fidelização do cliente.
“Além de manter caminhões sempre renovados, fazemos questão de que a tripulação tenha uma boa apresentação. O atendimento deve ser impecável do caixa que recebe o pagamento na loja ao motorista e ajudantes que levam o produto à casa do cliente. Isso implica o pessoal se apresentar bem, com uniforme das Casas Bahia, com um calçado que não seja um chinelo de dedo.”
Samuel Klein, patriarca e fundador da rede, foi criticado por manter uma frota própria para entregas, mas felizmente, a empresa pode se dar ao luxo de ignorar modismos e tendências de negócios.
“Sabe por que eu não adoto a terceirização? Por que não admito que o entregador chegue na casa de um cliente mal arrumado ou que esteja estabanado a ponto de causar danos à residência do consumidor”, explica. Se isto ocorrer com um funcionário meu, o cliente tem como reclamar.”
O estrangulamento logístico no Brasil
Em 2007, todas as montadoras instaladas no País obtiveram recordes nas vendas de caminhões no mercado interno. O Brasil é o sexto maior produtor mundial com mais de 130.000 unidades em 2007.
Para este ano de 2008 a previsão é um aumento entre 5% a 10% com volume de vendas próximo de 100.000 unidades para mercado interno. Isso, na melhor das hipóteses quanto a ajustes a serem feitos na produção. Ao analisar as vendas no mês de janeiro a previsão está garantida.
Infelizmente, as montadoras não estavam preparadas para este boom em vendas de caminhões, motivando a falta do produto no mercado. Feito igual no mercado de automóveis.
Para Scania o Brasil é o maior mercado. Na Volvo o terceiro maior. Na Iveco a possibilidade real de crescimento frente a mercados mais maduros. Para VW a liderança de mercado, em alguns modelos, após 50 anos da concorrente Mercedes Bens, ainda líder em vendas totais em 2007.
A análise de todas estas notícias não deixam de ser positivas, afinal empregos foram e estão sendo criados.
Mas é triste verificar que em um País continental como o nosso o modal rodoviário responda em mais de 60% do total de cargas transportadas. Na década de 50 era de 40%.
Por isso, quando nos deparamos com anúncio do investimento da GE em fabricar no País, suas locomotivas de grande porte é uma dádiva sem tamanho.
O próprio crescimento, na privatização e logo após, a venda das ferrovias é um alento e tanto. Pena o Lula não ter esta visão real dos problemas que o País enfrenta.
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