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Os problemas da falta de infra-estrutura que atrapalham os negócios de Eike Batista.

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Porto de Santos

Portos congestionados e energia mais cara representam os principais problemas para as áreas de minério e metais no Brasil, afirmou à Reuters o empresário Eike Batista.

Leia sobre os investimentos do empresário aqui.

Prestes a vender dois projetos de extração de minério de ferro para a Anglo American Plc, por 5,5 bilhões de dólares, o empresário investe em dois portos e outras instalações de infra-estrutura, além de projetos de energia, como forma de incrementar o setor de mineração no Brasil.

“Os portos do País se parecem com o que a telefonia era na época dos telefones de disco. Só que o mundo já está mais à frente, trabalhando com a banda larga”, afirmou durante o Summit de Mineração da Reuters, que está sendo realizado esta semana.

“Estamos falando sobre a era dos dinossauros. A maior parte dos portos é rasa demais para os embarcações maiores de minério. Vamos fazer portos multifuncionais com ancoradouros de 18 metros de profundidade suplementar, portos com sua própria indústria de base.”

A China e a Índia, parceiros do Brasil na condição de principais mercados emergentes do mundo, já deram o exemplo a esse respeito, afirmou.

Presidente da MMX Mineração, Eike disse que apesar de ter aceitado vender o controle dos projetos de mineração para a Anglo, com uma participação no porto de Açu, no Estado do Rio de Janeiro, que está construindo, vai manter o controle sobre o porto.

“A logística é algo imbatível, é o catalisador de qualquer projeto”, afirmou. “Já temos 20 bilhões de reais em memorandos de intenção de investimento apresentados por parceiros.”

Techint, Tata E JFE-Kawasaki.
Segundo Eike, negociações para envolver no projeto a fabricante de aço italiano-argentina Techint, que poderia construir uma fundição de aço na grande área industrial do porto de Açu, estão avançadas.

“Eles interessam-se pela importação de carvão e pela exportação de aço. Também estamos mantendo conversações com outros parceiros. Há uma tendência de que as empresas estrangeiras de aço venham para o Brasil, para ficarem perto das reservas de minério de ferro. Identificamos três empresas que podem ainda avançar a esse respeito: Techint, a Tata e a JFE-Kawasaki.”

Outra fatia importante dos seus negócios é a energia, atuando hoje no desenvolvimento de vários projetos de usinas alimentadas por gás, carvão e diesel.

“A energia sempre foi um problema aqui. Uma grande dificuldade é o custo da energia. A única forma de solucionar isso para os setores da mineração e dos metais é investir na geração de energia.”

Ele também diversificou seus investimentos e passou a aplicar na extração de gás e petróleo, roubando a cena no leilão concessões do governo realizado em novembro.

O executivo gastou mais de 1 bilhão de dólares para investir em áreas onde espera encontrar petróleo e gás natural dentro em breve. A extração, segundo prevê, começaria dentro de até quatro anos.

A empresa criada para o setor de energia, a OGX, prepara-se para realizar uma oferta pública inicial de ações para arrecadar até 2,5 bilhões de dólares em maio ou junho.

O caviar Beluga do minério de ferro.
No entanto, apesar de ter vendido os projetos para a Anglo e de ter diversificado seus investimentos, Eike continua a manter uma forte presença no setor de mineração, com 700 milhões de toneladas em reservas de minério de ferro e uma produção planejada para 2011 de mais de 25 milhões de toneladas.

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A mina de ferro de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, deve mais do que triplicar suas reservas dentro em breve, passando de 63 milhões de toneladas para mais de 200 milhões, afirmou.

“E esse é o caviar beluga do minério, uma parte de fácil acesso. A gente pega o minério com as próprias mãos.”

O empresário estuda a possibilidade de vender 49% da mina de Corumbá para um parceiro, no futuro, mas disse que continuaria a manter o controle sobre o negócio. O local deve passar das atuais 3 milhões de toneladas ao ano para algo em torno de 10 milhões de toneladas anuais em 2011-2012.

Via

Entrevista com empresário Eike Batista: “não tenho medo de investir”

A entrevista é uma excelente oportunidade para analisar um pouco o que pensa o empresário , investidor e grande estrategista do mundo dos negócios e brasileiro mais rico do País.

Gazeta Mercantil – Com o sucesso da negociação com a Anglo American, qual é agora o carro-chefe do grupo?

O petróleo. Tem escala gigantesca, umas 50 vezes maior que a mineração. É um business diferente.

Gazeta Mercantil – O senhor gosta de risco. Um exemplo foi entrar como entrou, com altos lances, no leilão de petróleo

Não nos importamos em gastar US$ 50 milhões para pesquisar alguma coisa; é óbvio que temos uma leitura do eventual potencial, mas só tem resultado final depois de arriscar.

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Antonio Petruccelli (1907 – 1994)

Gazeta Mercantil – Quais os planos do grupo na mineração?

Temos a AVG e a Minerminas, área de exploração de bauxita e urânio que obviamente estamos interessados. Na AVG e Minerminas vamos elevar de 6 milhões para 20 milhões de toneladas a produção até 2010. Recebemos, por semana, cerca de 20 propostas de áreas para avaliação e estamos avaliando agora aproximadamente 20.

Gazeta Mercantil – E a produção de Corumbá?

É uma perna importante para o nosso Porto Brasil, porque precisamos de carga própria para conseguir licenças. Temos quatro interessados em comprar um pedaço. Estamos fornecendo minério para a usina de gusa, que são 600 mil de toneladas. Neste ano vamos produzir 2 milhões de toneladas das quais 1,4 milhão para exportação.

Gazeta Mercantil – Os interessados no negócio fazem parte dos clientes atuais?

Também.

Gazeta Mercantil – No negócio com a Anglo, a operação de logística ficou com a LLX?

Nós não vendemos 51% do Porto de Açu, pertencente à mineração. Eles ficaram com 49%. Então, a Anglo quer que sejamos responsáveis por colocar o sistema Minas-Rio em produção da mesma maneira que colocamos o sistema Amapá; eles querem a nossa equipe completa. Por isso me mantiveram como CEO. Será a primeira receita da LLX. Por isso existe essa simbiose, estamos totalmente interligados. E uma das razões da venda, nessa simbiose, era a capitalização para continuar desenvolvendo a logística, porque o Porto do Açu vai se tornar um megaporto industrial.

Gazeta Mercantil – Qual investimento no Porto de Açu, Norte Fluminense?

São US$ 700 milhões e no Porto Brasil serão US$ 2,5 bilhões.

Gazeta Mercantil – O projeto do Porto Brasil, na região de Peruíbe (SP), se mantém, mesmo diante das dificuldades ambientais e com a comunidades indígenas da região?

Dificuldades sempre se tem. Trabalha-se, faz-se estudo, se estiverem errados faz-se de novo. Não fazemos nada errado, não precisa.

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Clique na imagem para ver melhor o projeto do Porto em Peruíbe

Gazeta Mercantil – Com relação à legislação brasileira, o governo está preparando um marco regulatório para o setor de mineração. O senhor tem participado do assunto?

É o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) que participa, mas acho que tudo tem que ter suas regras.

Gazeta Mercantil – A cobrança de royalties na mineração no Brasil é considerada mais barata que em outros países. Isso atrai investimentos?

O problema é que é o royaltie e mais o imposto de renda. A carga final é o que interessa. A busca do Brasil é pelo fato de ter o melhor minério de ferro do mundo.

Gazeta Mercantil – Onde estão acontecendo essas pesquisas?

No Amapá, Amazonas, Minas Gerais, Goiás, Bahia e também no Mato Grosso.

Gazeta Mercantil – As quatro empresas com as quais vocês estão conversando para comprar parte de Corumbá são do exterior?

Três são de fora, uma está no Brasil.

Gazeta Mercantil – A expectativa é fechar o negócio até quando?

Nos próximos seis meses deve sair.

Gazeta Mercantil – Os preços do minério de ferro estão em alta, qual a tendência?

Os preços não vão recuar porque os minérios acabam. Os de alta qualidade não existem mais. O chinês lavra o minério de 10% de teor. Eles raspam o tacho. Não existe mais hoje o granulado. A maior jazida de granulado que sobrou é da Rio Tinto, em Corumbá. Então, cuidado, se US$ 10 era o custo, pode começar a olhar para US$ 20.

Gazeta Mercantil – A origem de tudo foi o ouro, quais os planos para o ouro?

Volto a qualquer hora. Estamos olhando a área de ouro.

Gazeta Mercantil – Vocês estão investindo na exploração de bauxita, podem avançar nesse negócio?

A bauxita está nos planos, mas para exportação. Os preços de energia desestimulam investimentos em alumínio.

Gazeta Mercantil – Já há projetos direcionados para o porto de Peruíbe?

Mineração de Corumbá, etanol, tem produtores de álcool que querem sua produção independente e estão interessados em fazer um álcooduto e vai virar um megaporto de contêineres porque Santos vai entrar em saturação. O Brasil pode dobrar sua produção de commodities. Nós somos complementares para essa carga toda que o Brasil pode vir a exportar.

Gazeta Mercantil – Os interessados serão sócios no porto?

Não, vão arrendar. O modelo de negócio da LLX é tarifa de manuseio do porto e arrendamento industrial da área.

Gazeta Mercantil – Quem serão os sócios para tocar os 21 blocos arrematados no leilão da ANP?

Por enquanto, Maersk e a Perenco.

Gazeta Mercantil – Quais os planos para a OGX?

Queremos abrir capital aqui a um valor de provavelmente US$ 12 bilhões antes da captação e queremos captar uns US$ 2 bilhões.

Gazeta Mercantil – Há fôlego para participar do próximo leilão?

Isso temos sempre. Não paramos.

Gazeta Mercantil – O grupo também está construindo hospital para empresas particulares, negocia o Hotel Glória

Estamos negociando o Hotel Glória. A idéia é transferir a sede da empresa para lá, além do funcionamento do hotel. Vamos fazer uma reforma para voltar a estrutura que era em 1920. Essa engenharia deve custar R$ 60 milhões.

Gazeta Mercantil – Quais os projetos sociais da companhia?

Temos alguns, um deles o projeto de despoluição da Lagoa. Construção de hospitais. Esses projetos vão aumentar. Mas vamos fazer as coisas organizadamente.

Gazeta Mercantil – A ousadia foi característica fundamental para erguer o patrimônio de US$ 16 bilhões?

Não tenho medo de investir e, como venho da área de ouro, onde a taxa de acerto é de 17 mil para 1, se me apresentam um negócio com 30%, 50% de taxa de acerto então é ótimo.

Gazeta Mercantil – Como pretende multiplicar esse patrimônio?

Com investimentos em petróleo, logística, energia. Mineração tem menor participação nesse crescimento porque as reservas são limitadas.

Gazeta Mercantil – Quem serão os parceiros no petróleo? São as maiores do mundo?

Tem uns chineses gigantes, indianos gigantes. Emergentes.

Gazeta Mercantil – E a Shell?

Bons sócios (risos).

Gazeta Mercantil – E a ExxonMobil?

Gente boa (risos).

Gazeta Mercantil – E os investimentos no exterior. Na Bolívia, por exemplo?

A Bolívia nos interessa porque tem muita energia. O Evo fez o que tinha de fazer. Quis quebrar um centenário de exploração desenfreada do país dele. Aquilo era uma espoliação e alguém tinha que entornar o caldo. E o bom é que é um cara honesto, que quer o bem mesmo. Pensamos em investir lá em energia e siderurgia. Gerar energia térmica para o Brasil. Nos interessa entrar na exploração de gás.

Gazeta Mercantil – A OGX vai entrar como, por meio de licitação ou de negociação com outras empresas?

Vamos conversar com a Repsol, que está sentada em cima do poço, em campos como, acho que são, San Alberto e Margaritta. Estamos encaminhando conversas.

Gazeta Mercantil – Quais as perspectivas econômicas para o Brasil?

Espetacular. Se eu estou vendo a possibilidade de dobrar o volume de produção agrícola em sete anos, teremos um crescimento expressivo. Temos uma economia ainda muito pouco alavancada. O Itaú, por exemplo, só tem 12% da carteira alavancada em imóveis. Imagina o que tem para crescer.

Gazeta Mercantil – E a projeção para o crescimento do PIB?

O problema de crescer demais são os gargalos. Na construção civil, há um problema de falta de energia. E falta também cimento.

(Sabrina Lorenzi e Rita Karam – Gazeta Mercantil)

Atualização em 03.09.2008:

Agência Estado/Portal Exame: Empresa de Eike Batista suspende investimento em SP

Porto Gente: LLX deixa Peruíbe e futuro do Porto Brasil é incerto

Portal Exame: LLX, empresa de logística de Eike, suspende projeto de construção de porto gigante em Peruíbe devido às restrições mundiais de crédito

Atualização em 24.10.2008: Após a palestra na Casa do Saber – RJ, Eike Batista deu uma palhinha para a Endeavor sobre empreendedorismo com toda sua genialidade.

Atualizado em 11.11.2008: Eike Batista descarta de vez o Porto Brasil

Depoimento EIKE BATISTA sobre Empreendedorismo

Casas Bahia. Os maiores compradores de caminhões do Brasil. Entenda os motivos.

Esta semana foi divulgado que o maior varejista brasileiro concluiu a compra de 1.050 caminhões da Mercedes Benz. As entregas começam no mês que vem.

A escolha da Mercedes Benz foi definida por causa das características técnicas de seus caminhões, como economia de combustível, qualidade dos caminhões e o pós-venda oferecido pela MB e sua rede de concessionários. A parceria foi conquistada ao longo de 25 anos.

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O modelo Accelo 915 C foi desenvolvido em conjunto com a rede.

“Ele foi desenvolvido em parceria com a Casas Bahia e também será apresentado a outros clientes”, comentou Gilson Mansur, diretor de vendas de veículos comerciais para o mercado interno da MB.

Para a Mercedes Benz, além de ser seu maior cliente individual, a varejista possui a maior frota de veículos de transporte MB da América Latina.

“Dedicação total a você”. Com este slogan a varejista entende que o atendimento ao cliente envolve todas as fases de seu negócio, que vai da pré-venda ao pós-venda, incluindo, claro, a entrega, momento mágico que o cliente ansioso recebe em sua casa o móvel ou a geladeira, segundo seu principal executivo Michael Klein.

Para Klein,

“Nosso negócio não é só dar crédito. Cada venda é uma conquista, um cliente a mais. É claro que tem o aspecto do lucro, mas isso é decorrência do negócio.

E acrescenta:

“Cada caminhão tem três pessoas nossas – motorista e dois ajudantes – e, como tal, envolvidas no processo de envolvimento total do cliente. Com pessoal terceirizado não teríamos esse envolvimento.”

A logística acaba cumprindo uma etapa importante na fidelização do cliente.

“Além de manter caminhões sempre renovados, fazemos questão de que a tripulação tenha uma boa apresentação. O atendimento deve ser impecável do caixa que recebe o pagamento na loja ao motorista e ajudantes que levam o produto à casa do cliente. Isso implica o pessoal se apresentar bem, com uniforme das Casas Bahia, com um calçado que não seja um chinelo de dedo.”

Samuel Klein, patriarca e fundador da rede, foi criticado por manter uma frota própria para entregas, mas felizmente, a empresa pode se dar ao luxo de ignorar modismos e tendências de negócios.

Sabe por que eu não adoto a terceirização? Por que não admito que o entregador chegue na casa de um cliente mal arrumado ou que esteja estabanado a ponto de causar danos à residência do consumidor”, explica. Se isto ocorrer com um funcionário meu, o cliente tem como reclamar.”

O estrangulamento logístico no Brasil

Em 2007, todas as montadoras instaladas no País obtiveram recordes nas vendas de caminhões no mercado interno. O Brasil é o sexto maior produtor mundial com mais de 130.000 unidades em 2007.

Para este ano de 2008 a previsão é um aumento entre 5% a 10% com volume de vendas próximo de 100.000 unidades para mercado interno. Isso, na melhor das hipóteses quanto a ajustes a serem feitos na produção. Ao analisar as vendas no mês de janeiro a previsão está garantida.

Infelizmente, as montadoras não estavam preparadas para este boom em vendas de caminhões, motivando a falta do produto no mercado. Feito igual no mercado de automóveis.

Para Scania o Brasil é o maior mercado. Na Volvo o terceiro maior. Na Iveco a possibilidade real de crescimento frente a mercados mais maduros. Para VW a liderança de mercado, em alguns modelos, após 50 anos da concorrente Mercedes Bens, ainda líder em vendas totais em 2007.

A análise de todas estas notícias não deixam de ser positivas, afinal empregos foram e estão sendo criados.

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Mas é triste verificar que em um País continental como o nosso o modal rodoviário responda em mais de 60% do total de cargas transportadas. Na década de 50 era de 40%.

Por isso, quando nos deparamos com anúncio do investimento da GE em fabricar no País, suas locomotivas de grande porte é uma dádiva sem tamanho.

O próprio crescimento, na privatização e logo após, a venda das ferrovias é um alento e tanto. Pena o Lula não ter esta visão real dos problemas que o País enfrenta.