Shopping Center: Grupo Multiplan espera chegar a um faturamento de R$ 5 bilhões em 2008.

Alugar espaços nos shoppings construídos e manter o controle do mix de lojas foi fruto da observação econômica de Peres. Ao montar o Shopping Ibirapuera, o empresário percebeu que alugar as lojas receberia o mesmo dinheiro que com a venda em 10 anos. Ele deduziu que quem aluga recebe três vezes e quem vende nem sempre recebe uma vez.

Peres vendeu a Veplan e depois montou a Multiplan, hoje dona de uma rede de 13 shoppings que deve faturar este ano cerca de R$ 5 bilhões e lucrar R$ 450 milhões. Peres teve sócios do porte do francês BNP Paribas, do norte-americano Goldman Sachs e o brasileiro Bozano, Simonsen. Desde que abriu o capital, em 2007, a empresa ganhou novos sócios que ficaram com 25% de suas ações.

O empresário viu a companhia saltar de uma avaliação de R$ 500 milhões em ativos para mais de R$ 4 bilhões. Essa avaliação poderá subir ainda mais em 3 anos, quando pretende dobrar o faturamento e, rapidamente, alcançar a marca de 20 shoppings.

Leia entrevista com José Isaac Perez, o principal acionista da empresa.

A Multiplan ficou um bom tempo parada. O que aconteceu?

Não podia acelerar com uma inflação de 500%, 200%, uma taxa de juros absurda, então tivemos que hibernar durante algum tempo até mesmo para que pudéssemos sobreviver. Não éramos uma empresa capitalizada, mas assim mesmo tivemos alguns sócios institucionais importantes, como BNP Paribas, que converteu uma dívida que não recebia do Brasil em investimento. O governo brasileiro dava crédito para ele investir em empresas brasileiras, então aproveitei e fiz a primeira grande capitalização do grupo.

Além do Paribas quais outros sócios foram importantes na vida do grupo?

Com a saída deles veio o Goldman Sacks, que foi sócio por 10 anos. Também tivemos uma sociedade com o Bozano, Simonsen e depois compramos a parte deles em março de 2006. Três meses depois fizemos uma sociedade com o Ontario Teachers Pension Plan, grande fundo de pensão canadense, e em seguida fomos para o IPO. Não havia alternativa, já que todos os concorrentes estavam indo para o mercado de capitais.

O que o grupo ganhou com a oferta pública de ações?

Uma empresa aberta é um animal totalmente diferente. Ajuda você a se programar, a estabelecer metas, a organizar-se, ser mais transparente e a instituir uma empresa para muitos anos de vida, facilitando também o processo sucessório. Acho que o IPO foi maravilhoso. Mas quem entra nesse mundo não dá para hibernar. Colocamos na bolsa, no ano passado, R$ 1 bilhão do capital da empresa.

Algumas empresas do setor aceleraram o crescimento. Por que o senhor ficou olhando outros assumirem a dianteira?

Temos de analisar quantidade e qualidade. Tenho uma filosofia na vida e digo sempre que achei o segredo do sucesso: sempre fazer bem feito. Isso se traduz em lucro, em resultado financeiro. Não é animador entrar num shopping que não não tem atrativo, não tem calor, não tem alguma magnitude. Temos a maior empresa do setor em faturamento. Este ano, o grupo deverá alcançar um lucro aproximado de R$ 450 milhões, com vendas de R$ 5 bilhões. É uma boa margem de lucro. Costumo dizer que o nosso negócio é tranqüilo, porque não vai dar grandes saltos, mas vai crescer constantemente.

Quais são os planos ?

Em dois anos saímos de uma empresa avaliada em R$ 500 milhões para uma companhia que chegou ao IPO, no ano passado, com valor de mercado de quase R$ 4 bilhões. Se for analisado o valor dos nossos ativos, a empresa vale R$ 7 bilhões. Quis comprar a participação do Barra Shopping, no Rio, por R$ 2 bilhões e meus sócios não quiseram vender. No momento, construímos em Porto Alegre o maior shopping do Sul, o Barra Shopping Sul, que deve ficar pronto em outubro; temos outro em construção na Vila Olímpia, em São Paulo, e seis projetos de shoppings em desenvolvimento nas cidades de São Caetano, Jundiaí, Maceió, Campo Grande, Barra da Tijuca e Lago Sul (Brasília). Fora isso, temos quatro shoppings em expansão.

A meta é dobrar de tamanho?

Somos hoje maiores que o Iguatemi e que a BR Malls. Nossa rentabilidade por metro quadrado é a maior, nossos shoppings são todos muito bons, consolidados. Imagine o seguinte: só o Barra Shopping rende à empresa R$ 100 milhões por ano. Então, às vezes, dois shoppings podem render mais do que uma empresa que tem 10 ou 15 shoppings. A nossa estratégia é sempre estar focado e tirar o maior proveito do projeto. Em breve teremos 20 empreendimentos.

Para deslanchar esses empreendimentos quanto o grupo deverá investir?

Acho que vamos investir em 3 anos de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões na construção de vários centros. A empresa tem um grau de endividamento zero. Ou seja, tem em caixa mais do que deve.

O senhor está construindo na Vila Olímpia, ao lado do MorumbiShopping (do grupo), do Iguatemi e do Cidade Jardim. Com essa concentração não há risco?

Quando a Veplan fez o Ibirapuera em 1973, o Iguatemi, ainda era um embrião, era o mais perto da redondeza. Naquela época, a área de influência de um shopping pegava um raio de 10 quilômetros. Hoje, a área de influencia é de dois quilômetros. Aumentou a concentração demográfica em São Paulo e o que se fazia em meia hora de automóvel anteriormente, hoje se faz em duas horas. Aquele bairro está crescendo e vai crescer mais ainda.

O grupo chegou a fazer negócios no exterior. Ainda há interesses lá fora?

Em Portugal fizemos o 1º shopping, o Cascais. Depois, vendemos nossa parte para o Sonae. Nos Estados Unidos fizemos alguns empreendimentos e depois saímos. Resolvi me concentrar no Brasil.

Via JB Online

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