Posts de Julho 16th, 2008|Página de posts diários
As dificuldades do varejo em atender e entender a classe média alta no Brasil.
“Tem que entregar o que elas aspiram e o que cabe no seu bolso”, completa.
“Como o peso dos gastos com moradia e alimentação é menor, a distribuição é mais equilibrada, ou seja, gastam mais com vestuário, lazer, educação e viagens”, analisa a especialista.
“O padrão de consumo mudou. Se, por um lado, esse segmento se considera mais pobre que há vinte, trinta anos, por outro reconhece que tem, atualmente, mais opções de consumo e necessita de produtos que não existiam no passado, como celular, tevê por assinatura, internet, eletroeletrônicos e automóveis”, constata.
“Agora seu maior desafio é lutar para manter o padrão de vida”, observa.
José Luiz Gandini ainda sonha em ter uma fábrica da Kia Motors no Brasil.
Ele ainda sonha ter a sua fábrica, um projeto que abandonou há dois anos.
Enquanto isso, José Luiz Gandini faz a rede de concessionários da Kia crescer, adaptada a um novo perfil de produtos, muito mais requintado do que aquele com o qual a marca estreou no país, há 16 anos.
Gandini representa a Kia no Brasil desde então. É o importador e presidente da marca. Cuida do comércio dos veículos coreanos com a mesma conduta simples e tipicamente familiar que há anos envolve os negócios do pai, José Carlos, tradicional concessionário de automóveis de Itu (SP).
Há três anos, Gandini se preparava para erguer sua fábrica, em Minas Gerais. Mas em 2006 anunciou que desistira da operação por conta da desvalorização do dólar, que favorecia mais a importação. Agora o empresário diz que quer retomar o projeto. Argumenta que não tem relação nenhuma com o problema da dívida da Asia Motors com o governo brasileiro.
“Não tenho nada a ver; não devo nada porque nunca assinei contrato de incentivo”, diz.
Nos últimos tempos, Gandini tem viajado muito pelo Brasil para inaugurar concessionárias. O empresário está quase para concluir uma ampla reestruturação da rede, que precisou ser adaptada a um novo perfil de produto.
A Kia entrou no Brasil vendendo basicamente a Besta, van que ganhou fama por se tornar a alternativa de transporte que agradou os motoristas de lotação.
Gandini conta que naquela época não conseguiu atrair os grandes grupos de concessionários porque a maioria ficou com “um pé atrás”: seria fácil encontrar peças se a Besta quebrasse? E se o governo mudasse as leis de importação?
Até 1999, a Kia era controlada por capital estatal. Ao ser comprada pela Hyundai, renovou os produtos. A notícia do fim da produção da Besta, em 2005, assustou a família Gandini. Mais de 80% das vendas da Kia eram desse veículo.
“Era como se o mundo fosse acabar”, lembra o empresário.
Mas Gandini enfrentou o desafio de vender os produtos mais sofisticados e descredenciou 33 concessionários que não tinham perfil ou capital de giro para os novos produtos, como o luxuoso modelo Carnival, que custa R$ 145 mil.
A rede tem hoje 69 revendas. Em média, 14 a 15 novas serão credenciadas a cada mês até o final do ano. Os pontos de venda estão aumentando para sustentar o crescimento da marca de importados que mais vende no país. O desempenho nos cinco primeiros meses já superou as vendas de 2007.
[via Jornal Valor Econômico]
Atualizando em 01.11.2008: Depois da Hyundai, Kia anuncia adiamento de projetos no Brasil
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