Posts de Julho 16th, 2008|Página de posts diários

As dificuldades do varejo em atender e entender a classe média alta no Brasil.

Estudo mostra que o segmento não tem os desejos e aspirações atendidos.
Embora represente apenas 4% do total da população brasileira, a classe média alta, que detém uma parcela significativa da renda total do país (23%), ainda não dispõe de uma opção de varejo que a satisfaça.
Espremida entre o poder de compra crescente da classe média (B/C) e a classe AA, esse consumidor busca um modelo de varejo “inteligente”, que equilibre diferenciação e atendimento personalizado, pagando um preço justo por isso.
Essa é a conclusão do estudo “Em busca de um modelo de varejo para a classe média alta”, da TNS InterScience, realizado em maio, na cidade de São Paulo.
De acordo com Elizabeth Salmeirão, diretora de Retail & Shopper Insights da TNS InterScience, o desafio do varejo é oferecer produtos e serviços diferenciados a essas pessoas.
“Tem que entregar o que elas aspiram e o que cabe no seu bolso”, completa.
De acordo com o levantamento, o consumidor de classe média alta pertence às classes A2 (76%) e A1 (24%), tem aproximadamente 36 anos e renda média familiar de R$ 8,3 mil.
A amostra é igualmente representada por casados e solteiros economicamente ativos que trabalham fora (72%) em período integral. Quase a totalidade (88%) viaja a cada seis meses para o Brasil (90%) e para exterior (15%).
A distribuição dos gastos da classe média alta é bem diferente das populares, que concentram seus gastos em moradia (32%) e alimentação (27%).
“Como o peso dos gastos com moradia e alimentação é menor, a distribuição é mais equilibrada, ou seja, gastam mais com vestuário, lazer, educação e viagens”, analisa a especialista.
Menos vulnerável ao momento econômico do país e, portanto, com menor risco de endividamento a médio e longo prazo, a classe média alta apresenta menor índice de inadimplência (19%) em comparação às classes mais baixas (42%) e tem hábitos regulares de compra, o que significa, para o comércio, a garantia de vendas mais freqüentes.
Poder de compra – Igualmente diferente é a percepção atual da classe média alta sobre seu poder aquisitivo.
“O padrão de consumo mudou. Se, por um lado, esse segmento se considera mais pobre que há vinte, trinta anos, por outro reconhece que tem, atualmente, mais opções de consumo e necessita de produtos que não existiam no passado, como celular, tevê por assinatura, internet, eletroeletrônicos e automóveis”, constata.
O maior dilema, entretanto, é a sensação de “achatamento”. Espremida entre a classe AA, seu aspiracional, e as classes B/C, que agora consomem mais e têm hábitos mais próximos aos seus, a classe média alta tem a sensação de pertencer a um estrato social mais baixo.
“Agora seu maior desafio é lutar para manter o padrão de vida”, observa.
De acord com Elizabeth, para se diferenciar das classes mais baixas, esse consumidor busca a exclusividade de produtos e serviços da AA e acesso aos mesmos locais de gastronomia, lazer e cultura, mesmo que para isso tenha que fazer uma certa “ginástica”.
Poupa de um lado para gastar no outro, preza as escolhas inteligentes e se desdobra para encontrar o “bacana”ou “o diferente” que caiba no bolso, quebrando os parâmetros de comparação com produtos de luxo.
Fonte: ClienteS/A

José Luiz Gandini ainda sonha em ter uma fábrica da Kia Motors no Brasil.

Ele ainda sonha ter a sua fábrica, um projeto que abandonou há dois anos.

Enquanto isso, José Luiz Gandini faz a rede de concessionários da Kia crescer, adaptada a um novo perfil de produtos, muito mais requintado do que aquele com o qual a marca estreou no país, há 16 anos.

Gandini representa a Kia no Brasil desde então. É o importador e presidente da marca. Cuida do comércio dos veículos coreanos com a mesma conduta simples e tipicamente familiar que há anos envolve os negócios do pai, José Carlos, tradicional concessionário de automóveis de Itu (SP).

Há três anos, Gandini se preparava para erguer sua fábrica, em Minas Gerais. Mas em 2006 anunciou que desistira da operação por conta da desvalorização do dólar, que favorecia mais a importação. Agora o empresário diz que quer retomar o projeto. Argumenta que não tem relação nenhuma com o problema da dívida da Asia Motors com o governo brasileiro.

“Não tenho nada a ver; não devo nada porque nunca assinei contrato de incentivo”, diz.

Nos últimos tempos, Gandini tem viajado muito pelo Brasil para inaugurar concessionárias. O empresário está quase para concluir uma ampla reestruturação da rede, que precisou ser adaptada a um novo perfil de produto.

A Kia entrou no Brasil vendendo basicamente a Besta, van que ganhou fama por se tornar a alternativa de transporte que agradou os motoristas de lotação.

Gandini conta que naquela época não conseguiu atrair os grandes grupos de concessionários porque a maioria ficou com “um pé atrás”: seria fácil encontrar peças se a Besta quebrasse? E se o governo mudasse as leis de importação?

Até 1999, a Kia era controlada por capital estatal. Ao ser comprada pela Hyundai, renovou os produtos. A notícia do fim da produção da Besta, em 2005, assustou a família Gandini. Mais de 80% das vendas da Kia eram desse veículo.

“Era como se o mundo fosse acabar”, lembra o empresário.

Mas Gandini enfrentou o desafio de vender os produtos mais sofisticados e descredenciou 33 concessionários que não tinham perfil ou capital de giro para os novos produtos, como o luxuoso modelo Carnival, que custa R$ 145 mil.

A rede tem hoje 69 revendas. Em média, 14 a 15 novas serão credenciadas a cada mês até o final do ano. Os pontos de venda estão aumentando para sustentar o crescimento da marca de importados que mais vende no país. O desempenho nos cinco primeiros meses já superou as vendas de 2007.

[via Jornal Valor Econômico]

Atualizando em 01.11.2008: Depois da Hyundai, Kia anuncia adiamento de projetos no Brasil