Exportando talentos: Publicitários brasileiros pelo mundo.

CANNES, FRANÇA. Um dos desafios das agências brasileiras no Festival Internacional de Publicidade de Cannes é tentar trazer de volta os áureos tempos do setor no país, quando as agências nacionais foram consideradas as melhores do mundo por quatro anos consecutivos, na virada da década.

Uma visita à área dos Young Lions, os jovens publicitários do festival, mostra que o caminho será difícil e bastante parecido com o da seleção de futebol: há mais brasileiros representando outros países do que o próprio Brasil. Entre os cinco brasileiros participantes da categoria de anúncios impressos nos Young Lions, apenas dois representavam o Brasil. Os outros eram dos Emirados Árabes, da Romênia e de Portugal.

Apesar de a presença brasileira ser comum em agências norte-americanas e européias, a novidade é que os mais jovens passaram a ser caçados para os países emergentes, como os do Leste Europeu e da Ásia.

“Temos a tradição de ter bons diretores de arte no Brasil e, quando a agência na qual trabalho resolveu incrementar sua criatividade, logo pensaram em brasileiros”, afirma Pedro Américo Pahl, diretor da Tempo Advertising, na Romênia.

Aos 27 anos, Pahl saiu do verão carioca direto para o inverno romeno. O pernambucano Rafael Rizuto foi levado para o Oriente Médio e não tem planos de voltar ao Brasil tão cedo.

“Na agência em que trabalho há pessoas de 30 países”, diz Rizuto. “Os árabes têm alto poder aquisitivo, mas sentem falta da estética ocidental.”

A importação de mão-de-obra talvez seja um dos motivos pelo qual cada vez mais países diferentes são premiados em Cannes. Malásia, Qatar, China e Cingapura conquistaram mais leões de ouro do que países ocidentais, na categoria de outdoor.

Via Jornal O Tempo

Não ha comentários

Leave a reply