Novos capítulos da novela da nova fábrica da Toyota no Brasil.

Num sinal de que uma longa pesquisa pode estar chegando na reta final, são agora os próprios altos executivos do setor de engenharia da matriz, no Japão, que fazem a análise das áreas mais adequadas à construção de uma nova fábrica da Toyota no Brasil.

O principal executivo da área técnica da companhia, Hiroyuki Watanabe, esteve no dia 17 de junho no Paraná. Se a montadora optar por esse Estado, a preferência, segundo o Valor Econômico apurou, é por dois terrenos de São José dos Pinhais que, a princípio, não poderiam abrigar uma construção industrial por conta de pendências ambientais.

Fontes ligadas à negociação afirmam que o governo do Paraná já deu garantias à direção da Toyota de que as pendências ambientais podem ser resolvidas. Foi com essa promessa em mãos que Watanabe e outros dois executivos – um deles, gerente de projetos e o outro, analista – estiveram no Estado.

São José dos Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba, é o mesmo onde estão instaladas a Volkswagen e a Renault. A área pela qual os representantes da montadora se interessaram pertence aos empresários Darci Fantin e Jael Barros, que possuem haras nos imóveis, localizados na chamada colônia Malhada, próximo à BR-376, entre Curitiba e Joinville (SC). A área em negociação possui 4 milhões de metros quadrados.

Mas o governo do Paraná já encontrou uma solução para atender a montadora japonesa. No início do ano, representantes da Toyota estiveram nos terrenos onde estão os haras, junto com membros da Secretaria de Meio Ambiente do Paraná.

“Foram dadas todas as garantias à Toyota de que ela pode se instalar lá”, disse secretário Rasca Rodrigues. Segundo ele, no terreno há área de manancial, que precisa ser preservada, mas “é possível fazer compensação ambiental” em outro terreno.

O secretário da Indústria e Comércio, Virgílio Moreira Filho, contou que o Paraná havia praticamente perdido a disputa pelos investimentos da montadora porque a Toyota fazia questão de ficar com a área escolhida.

“Entramos de novo na briga quando informamos da possibilidade de compensação”, disse.

O japonês que circulou ontem pelo Paraná é um executivo altamente graduado, que durante uma carreira de mais de 30 anos na Toyota tem muita influência no desenvolvimento de projetos. Watanabe é também fortemente ligado às questões de desenvolvimento de novas fontes de energia para veículos, criação de sistemas de transporte inteligente e envolvimento da indústria automobilística na questão ambiental.

Há motivos para a área de desenvolvimento de produto se preocupar com as características do solo que abrigará a nova fábrica. Os dirigentes da montadora no Brasil já revelaram que o terreno onde fica a linha de produção do modelo Corolla, em Indaiatuba, no interior de São Paulo, é demasiadamente inclinado para receber um empreendimento do tamanho que a companhia deseja. O investimento que a Toyota pretende fazer, que consumiria algo em torno de US$ 500 milhões, visa uma produção industrial com altos volumes, de um novo automóvel pequeno, porém, não popular.

O assunto é tratado com discrição dentro do governo e também em São José dos Pinhais, porque os envolvidos na negociação temem desagradar os japoneses.

“A região de Curitiba está mesmo sendo cotada para sediar a Toyota, em função da localização, infra-estrutura e qualidade da mão-de-obra”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Paraná, Rodrigo da Rocha Loures.

O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), foi um dos visitados pelos executivos da montadora. Segundo ele, foram feitos elogios à cidade e seu planejamento. A conversa, segundo o tucano, teve muito da comemoração dos 100 anos de imigração japonesa. Richa negocia para atrair investimentos da também japonesa Yokohama, fabricante de pneus.

Fontes do setor dão conta de que a empresa de pneus quer ficar próxima à Toyota, por ser sua fornecedora. Na semana passada, o governador Roberto Requião (PMDB) disse que o Paraná poderá perder a Yokohama em função de incentivos fiscais que estão sendo oferecidos em Pernambuco e na Bahia. Executivos da empresa também já visitaram São José dos Pinhais.

Fonte: Valor Econômico em reportagem de: Marli Lima e Marli Olmos

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