Polêmica: Atlético Paranaense quer cobrar das rádios as transmissões.

Marketing: afinal, quanto vale o show de bola?

Uma decisão tem causado polêmica entre as rádios do Paraná e o Clube Atlético Paranaense. É que o “Furacão”, como é chamado por sua torcida, pretende cobrar das emissoras o direito de transmitir as partidas do time. A partir do Campeonato Brasileiro (incluindo a Copa Sul-Americana) deste ano, cada rádio terá de pagar R$ 15 mil para transmitir uma partida do clube. Se a emissora quiser comprar o pacote de 38 jogos da competição nacional, o preço é de R$ 456 mil.

Atualmente, as emissoras utilizam a estrutura do clube gratuitamente para fazer as suas transmissões – e, como lembra o Atlético, lucrar com elas. Além disso, o Atlético também ressalta o fato de ser obrigado a pagar pela publicidade que veicula nas emissoras locais, embora empreste a sua estrutura a elas.

As emissoras, é claro, resistem à novidade. Alegam que foram surpreendidas e criticam o ato de que o Atlético-PR tomou a decisão sem ao menos tentar uma negociação prévia. Os profissionais do rádio afirmam, ainda, que a cobrança não tem sentido porque a simples transmissão dos jogos já representa uma “publicidade gratuita” para o “Furacão”.

Em Santa Catarina, os clubes de futebol tentaram fazer a mesma cobrança durante o Campeonato Estadual deste ano, mas a briga foi parar na justiça. Em abril, a Associação dos Clubes de Futebol de Santa Catarina (ACFSC) perdeu, pela terceira vez, nos tribunais. E, assim, as emissoras seguem transmitindo os jogos sem ter de pagar por isso. Mas, afinal, é justa a cobrança dos clubes pelo uso de suas dependências – e também de sua marca?

“O Atlético está vendendo seu produto: audiência. O valor da marca rubro-negra é o quanto de interesse ela consegue despertar no público”, destaca Stalimir Vieira, publicitário e consultor de marketing.

Esse raciocínio parte da premissa de que a paixão despertada nas pessoas é o maior ativo do clube – e nada mais coerente do que saber negociá-lo.

“Isso passa a ser até mesmo uma questão de sobrevivência para os clubes”, acrescenta Vieira.

No que depender da opinião de profissionais ligados ao mundo da bola, a “inovação” atleticana poderá ganhar novos adeptos – principalmente pelo fato de que a cobrança reforçará o caixa dos clubes. É o que pensa Ernani Buchmann, consultor de marketing e ex-presidente do Paraná Clube entre 1996 e 1997. Para o ex-dirigente, a medida exigirá mudanças na organização das rádios.

“A partir de agora elas terão que se unir como redes para poder comprar o direito de transmissão das partidas”, aponta.

“O futebol é um espetáculo. Qualquer emissora, em qualquer lugar do mundo, paga um preço para transmitir. Por que não aqui?”, questiona Buchmann.

Informações de Fernanda Arechavaleta para Revista Amanhã

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