Posts de Abril 14th, 2008|Página de posts diários

Entenda o acordo sobre o recall do Fox. A VW tem 48 horas para apresentar solução técnica.

A Volkswagen e os órgãos de defesa do consumidor fecharam nesta segunda-feira, 14, um acordo para o recall dos modelos, informou o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Ruimar de Lima.

Ele deu a informação após participar de reunião, no Ministério da Justiça, com o diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), Ricardo Morishita, com o diretor-jurídico da Volkswagen, Eduardo Barros, e com representantes do Ministério Público Federal (MPF) e dos ministérios públicos dos Estados de São Paulo e Santa Catarina.

Pelo acordo, a Volks anunciará em até 48 horas que está buscando uma solução técnica para o rebatimento do banco traseiro do Fox de forma a evitar acidentes.

O recall, segundo Ruimar de Lima, deverá ser iniciado em 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias, para solução do problema, que teria causado mutilação nos dedos de alguns proprietários do Fox. Ainda nesta segunda-feira, a Volks divulgará uma nota sobre o acordo.

O promotor disse que a montadora se comprometeu, também a recolher R$ 3 milhões para o Fundo Nacional de Direitos Difusos Lesados. Com o acordo, fica arquivado o processo administrativo aberto pelo DPDC, do Ministério da Justiça, e os processos administrativos abertos pelo Ministério Público Federal e por Ministérios Públicos de Diversos Estados, como São Paulo e Santa Catarina.

Lima explicou há pouco, em Brasília, que o arquivamento poderá ser suspenso caso se verifique que o acordo não foi cumprido.

Via Estadão

Leia mais sobre o problema do Fox aqui no blog:

Em 02.04.2008: Nota de esclarecimento da Volkswagen à respeito do problema do Compacto Fox.

Em 02.04.2008: Compacto Fox: VW deverá ser obrigada realizar recall.

Em 06.03.2008: Na Era do Buzz Marketing o Compacto Fox vira motivo de chacota na Internet.

Em 17.02.2008: O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, sabia do problema do compacto Fox da Volkswagen desde 2006.

Em 15.02.2008: Volkswagen entrega pedido de defesa no Procon sobre defeito no compacto Fox.

Em 12.02.2008: Compacto Fox: A VW e o processo administrativo instaurado pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça.

Em 02.02.2008: Compacto Fox: a solução da Volkswagen para o problema do porta-malas “guilhotina” é um anel de borracha.

Em 09.02.2008: Fox, Meriva e Ford Explorer: A força do consumidor na era digital.

Reservas de petróleo no Brasil. Um novo Oriente Médio?

O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, disse nesta segunda-feira que o bloco BM-S-9, conhecido como Carioca, seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, com reservas em torno de 33 bilhões de boe [barris de óleo equivalente/Unidade utilizada para comparar (converter) em equivalência térmica, uma quantidade de energia em barris de petróleo].

Lima ressaltou que as informações são “oficiosas”, mas oriundas de canais da Petrobras. O BM-S-9 é operado pelo consórcio Petrobras, que tem 45% do campo, a British Gas, com 30%, e Repsol, com 25%.

“Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade. É algo do Oriente Médio, mas nada está confirmado”, afirmou Lima, referindo-se à região do planeta que tem as maiores reservas do mundo.

O diretor da ANP, que participou do 4º Seminário de Petróleo e Gás Natural promovido pela FGV, no Rio, explicou que o BM-S-9 fica a oeste de Tupi (BM-S-11), na Bacia de Santos. Outra grande descoberta da Petrobras, o campo de Júpiter (BM-S-24) também fica na zona de influência do Carioca. Eles ficam sob uma extensa camada de sal localizada até a 5.000 metros de profundidade.

Anunciado em novembro do ano passado, o megacampo de Tupi tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas de petróleo do mundo dos últimos sete anos.

Para termos de comparação, as reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões boe (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP.

O Brasil ocupa hoje o 17º lugar no ranking de países com maiores reservas de petróleo. Confira abaixo:

Via Folha de São Paulo

Headhunter: Conheça algumas táticas utilizadas no processo seletivo.

A sócia da Steer Recursos Humanos, Priscila de Oliveira, é headhunter há 11 anos. Ela conta quais são as táticas que usa na entrevista de emprego para saber se o candidato está falando a verdade ou se está mentindo.

“Mantenho o clima descontraído, para desmontar o profissional”, explica.

O motivo é simples: hoje, há cursos para preparar as pessoas para entrevistas de emprego. Resultado: treinadas para agradar, elas dizem apenas o que o selecionador quer ouvir, quase de maneira robótica, e passam longe da sinceridade.

Por isso, além do clima informal, que deixa a pessoa à vontade, de forma que possa mostrar quem de fato é, Priscila foge das perguntas tradicionais.

“É comum os selecionadores perguntarem o que o candidato faria em determinadas situações. As chances dele não ser muito verdadeiro são altas, pois a tendência é responder o que o outro quer ouvir. Prefiro perguntas sobre fatos do passado”.

Perguntas
A especialista questiona, por exemplo, quais foram os principais resultados atingidos no último emprego ou qual a situação mais difícil que já passou com um cliente.

“Como a pessoa fica muito à vontade, acaba contando coisas que não contaria em um processo seletivo tradicional, inclusive, usando uma linguagem mais informal”, garante.

A dica para o selecionador é saber ponderar alguns erros do candidato, que não devem comprometer a decisão final no processo seletivo.

“Com o clima descontraído, surge de tudo. Todo mundo recomenda a profissionais que procuram emprego não falar mal da empresa anterior na entrevista. Porém, não é raro ouvirmos uma história e percebermos que o candidato não faz críticas ao antigo emprego de graça. Simplesmente, o que aconteceu não casou com seus valores éticos e morais”, avalia Priscila.

Referências
Outra forma de verificar a ética e a honestidade do candidato é pedindo a ele que indique pessoas com as quais já trabalhou para levantar referências. Pedir indicações, e não procurar alguém de forma independente, é uma questão ética. O mais comum é a indicação do ex-gerente.

Porém, é importante que o selecionador deixe claro, tanto ao candidato quanto ao profissional que dará a referência, que todas as informações passadas serão sigilosas.

“Quando se fala em referência, muitos pensam que já é algo combinado e que a pessoa indicada pelo candidato apenas falará bem, porém, não é bem assim que funciona. Já vi muitos casos em que o indicado fez críticas pesadas”, completa a sócia da Steer Recursos Humanos.

Via Administradores

Conheça as tendências para o mercado de bebidas brasileiro.

Qual o cenário e as tendências da indústria de bebidas no Brasil?
A resposta foi dada no Fórum Internacional de Bebidas, realizado em Bento Gonçalves durante a Semana Internacional Brasil Alimenta, que encerrou nesta sexta (11).

Água Mineral
A indústria aposta em águas saborizadas, enriquecidas e funcionais, segundo a farmacêutica bioquímica Petra Sanchez Sanchez, presidente do Comitê Científico da Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam).

Cachaça
O grande desafio é a exportação, que representa menos de 1% da produção do país. “Produzimos 1,3 bilhão de litros e exportamos apenas 11,3 milhões de litros”, comentou a presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça, Maria das Vitórias Cavalcanti.

Cerveja
Embora as tipo pilsen ainda dominem o mercado, respondendo por 80% de todo o consumo, já há uma grade variedade de tipos ao alcance do consumidor. O representante da Schincariol, Peter Ehrhardt, destacou então as cervejas excêntricas com adição de canela e groselha; limão e aroma de tequila e refrigerante tipo Cola.

Vinhos
A rolha de cortiço perdeu o domínio absoluto, que detinha no mercado mundial de vedação das garrafas de vinho. Mas continua ainda com 60%, deixando 25% para as rolhas sintéticas e 15% para as tampas metálicas de rosca.

A Semana Internacional Brasil Alimenta, que encerrou nesta sexta (11) em Bento Gonçalves, reuniu 189 expositores de 15 estados, 15 países e 6.700 visitantes durante quatro dias de negócios e atualização profissional. Ela congregou três feiras (Vinotech, Mercosul Bebidas Tecnologia e MultiAgro) e uma programação paralela que incluiu fóruns, encontros setoriais e workshops.

Apresentando as últimas tendências em máquinas, equipamentos, insumos e matérias-primas para os setores envolvidos, as feiras Vinotech, Mercosul Bebidas Tecnologia e MultiAgro foram responsáveis pela geração de negócios 38% superiores aos da edição anterior, realizada em 2006.

Segundo os organizadores as vendas registradas durante a feira somaram US$ 42 milhões, sendo que o evento prospecta um volume de negócios ainda maior nos próximos meses. A próxima edição do evento será entre 13 e 16 de abril de 2010.

Via Affonso Ritter

Conheça o projeto bilionário da empresa Synergy para a cidade de Guarujá.

A região de Guarujá, litoral paulista, voltada para o estuário do porto de Santos, foi escolhida para implantação de um megaprojeto que alia porto, retroporto e aeroporto, com investimentos superiores a R$ 1 bilhão.

Participarão da sociedade de propósito específico (SPE) em formação, setores da produção, financeiro e da operação aeroportuária.

Na próxima semana, a Synergy Participações, que coordena e participa como uma das investidoras no projeto, fará sua apresentação às autoridades municipais e portuárias. Propõe-se a movimentar, após cumpridas etapas, 150 mil contêineres por ano e 160 milhões de litros de granéis líquidos, no quinto ano, entre etanol e outros produtos químicos. A capacidade estática para granéis líquidos poderá atingir a 720 mil m3 até o quinto ano de sua implantação.

“Viemos trabalhando nesse projeto há três anos e com a explosão da economia, concluímos que está maduro para ser implantado, levando-se em conta sua localização estratégica, junto a rodovias, ferrovias e a pista de pouso da Base Aérea de Santos, todas junto ao porto”, sustenta Gilson Medeiros Júnior, diretor da Synergy.

Na área portuária fronteiriça ao estuário, o projeto ocupa a extensão de um quilômetro, com uma retaguarda contígua de 500 mil m² e retroárea de mais 1 milhão de m², distante quatro quilômetros do cais. O cais será construído em forma de píer.

O projeto, anunciado com exclusividade para o jornal Valor Econômico, prevê a ampliação e compartilhamento civil e militar da atual pista de pouso e decolagem administrada pela Base Aérea de Santos, que passaria de 1.400 metros para 1.862 metros. A prefeitura de Guarujá dispõe de um projeto para o mesmo equipamento, aprovado pelas autoridades ambientais de São Paulo, pela Aeronáutica e Agência Nacional da Aviação Civil (Anac).

“Falta apenas fechar um convênio com a autoridade da Aeronáutica em São Paulo”, diz Mauro Scazufca, secretário de Planejamento de Guarujá.

Segundo Medeiros Júnior, o setor privado está disposto a bancar inteiramente o projeto, enquanto o da prefeitura teria a participação de recursos públicos. As obras do aeroporto metropolitano de Guarujá, como é denominado, estão orçadas em R$ 21 milhões.

Junto à Synergy, atuaram no segmento aeroportuário do projeto, as empresas WF/Arquitetônica, uma joint venture americana e a Washington Fiúza Arquitetos. Esta empresa, conforme Medeiros, já contratou “mais de 1 milhão de metros quadrados em empreendimentos corporativos”. No setor portuário do investimento atua a KWA Solution.

Segundo Medeiros, os empreendedores, cujos nomes ainda não foram revelados, após a liberação das licenças, garantem que o terminal aeroportuário terá condições de funcionamento em oito meses, enquanto áreas e equipamentos do porto e retroporto, em 24 meses. Ao lado do projeto da Synergy está o da Embraport, do grupo Coimex, em obras, com objetivos semelhantes, de movimentar contêineres e etanol.

Reportagem de José Rodrigues para Valor Econômico

Leia outras matérias sobre investimentos em infra-estrutura portuária no Brasil:

Eike Batista e Tata Motors: Vem aí o Nano, o carro mais barato do mundo?

Os problemas da falta de infra-estrutura que atrapalham os negócios de Eike Batista.

Entrevista com empresário Eike Batista: “Não tenho medo de investir”

O crescimento da Texaco e os rumores da venda dos ativos no Brasil.

Os executivos evitam comentários sobre a possibilidade de venda da empresa no país. Ao receber o jornal Valor Econômico na semana passada para comentar a mudança no comando e falar sobre os resultados da Texaco no país, Nicholls foi enfático:

“a política da companhia é não comentar sobre boatos que circulam no mercado”.

O grupo Ultra, que adquiriu parte da rede de postos Ipiranga no ano passado, é apontado como o potencial comprador pelo mercado. Analistas dizem que a ChevronTexaco teria colocado à venda apenas os postos e não as unidades de graxas e lubrificantes. Segundo essas fontes, o Ultra teria se antecipado aos possíveis concorrentes fazendo uma proposta de compra à Chevron, dona da Texaco, antes que ela contratasse um banco para assessorá-la ou formasse um “data-room”.

“Todas as oportunidades de crescimento e aquisições em distribuição de combustíveis estão sendo ou serão analisadas”, informou a assessoria do Grupo Ultra.

A Petrobras, que tem demonstrado um apetite por aquisições na distribuição e aguarda resposta da Esso sobre sua proposta de compra, garante que não recebeu nenhum convite para analisar a Texaco.

“Por aqui, não passou nada”, garante uma fonte qualificada da estatal.

A Texaco detém 9,2% do mercado de distribuição das empresas ligadas ao Sindicom (que respondem por 80% do mercado) e 7,7% do mercado total, com a quarta maior rede do país, atrás da BR (Petrobras), Shell e do Ultra-Ipiranga.

À venda ou não, a Texaco apresenta melhora nos indicadores de vendas de combustíveis e na receita. As vendas totais de álcool no país cresceram 60% em 2007, mas na Texaco o percentual foi maior, tendo aumento de 80%. As vendas de gasolina aumentaram 6%, alavancadas pelo lançamento da gasolina aditivada com Techron, que substituiu a comum. As vendas de diesel, onde a concorrência é maior, cresceram cerca de 3%.

A subsidiária registrou lucro líquido de R$ 75,8 milhões no ano passado, nada menos que 900% a mais que o resultado de 2006, quando o ganho foi de R$ 7,58 milhões. Entre as razões para esse desempenho estão o crescimento da economia brasileira, as mudanças no ambiente regulatório, o aumento da participação no mercado e também a valorização do real, considerando que parte das despesas são contabilizadas em dólares.

“Como nosso balanço é feito com base na legislação societária americana, quando o real se desvaloriza a receita sobe. Mesmo assim, o resultado do ano passado não foi tão bom quando se considera o capital empregado no país. Ainda não está nos níveis de retorno que o acionista espera, mas talvez em 2008 isso ocorra”, explicou Nicholls.


Campos, novo presidente da subsidiária da Texaco: mais rigor da ANP.

O executivo vê melhoras no mercado que estão ajudando a recompor as margens. O novo presidente da Texaco país, Maurício Campos, atribui ao crescimento do mercado e o boom de vendas de álcool a fatores como a maior fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que passou a obrigar os postos a comprarem álcool apenas das distribuidoras com quem têm contrato de exclusividade. Essa medida, que parece óbvia, reduziu as vendas diretas das usinas de álcool para os postos e também a compra do produto vendido por distribuidoras menores, sem marca forte. Ele também destaca o fim da guerra de preços que permitiu elevar as margens tanto na gasolina quanto no álcool. Nicholls acha a sonegação irá ser afetada com a nota fiscal eletrônica.

A Texaco prevê investir US$ 40 milhões em 2008, em linha com o ano passado. Agora vê oportunidade de investir na exportação de álcool para mercados onde a Chevron opera. A empresa exportou 18 milhões de litros de álcool para os EUA em 2005 e 2006.

Reportagem de Cláudia Schüffner para Valor Econômico

Leia mais sobre a Texaco aqui no blog:

A oferta do Grupo Ultra/Ipiranga pela Texaco/Chevron no Brasil pode ser de 1,6 bilhões de dólares.

Mercado de combustíveis: Grupo Ultra compra Texaco e BR Distribuidora fica com os ativos da Esso.

Rede Globo de Televisão: Faltou QI no Q de Qualidade da Globo.

Duas Caras: faltou QI no Q de Qualidade da Globo.

Por Alberto Luchetti Neto

“Não são raros os erros de português que a maior emissora de televisão do país comete em sua programação. Ora aparecem em seus telejornais, ora em programa de entretenimento. É muito comum, aliás, um personagem de novela – sem desculpa pelo tipo que faz – sapatear no vernáculo. Na prorrogação desse parágrafo, sequer convém mencionar as “bolas fora” proferidas durante as transmissões esportivas, sobretudo quando comentaristas que ganharam a vida com o pé resolvem sobreviver abrindo a boca.

Agora, fustigada pela concorrência, a Rede Globo de Televisão ultrapassou todos os limites da boa convivência com a língua portuguesa. No comercial institucional (ver abaixo), que apregoa o Q de Qualidade da emissora, faltou QI. Como Armando Nogueira está fora de combate e Otto Lara Resende, que escrevia os textos do patriarca Roberto Marinho, está morto, a nossa nobre língua padece no Jardim Botânico.

A Globo apelou para a exaltação do Q de Qualidade como justificativa para a perda constante de audiência para a TV Record. Mas negligenciou na qualidade do texto de seu próprio institucional. No anúncio, protagonizado por atores, jornalistas e afins, veiculado na própria TV Globo, o ator Marco Nanini foi premiado com uma pérola da redundância. Ele usa a expressão “pequeno detalhe” ao falar de figurino, como se detalhe tivesse outra dimensão que não fosse pequena. É o mesmo que grande maioria ou pequena minoria, aliás, muito freqüente na boca de quem fala na TV Globo.

O vídeo e o texto exibidos pela emissora carioca podem ser “criação” de uma agência de publicidade descompromissada com a gramática, o que não acredito. O mais provável é que pelo menos o texto tenha sido gestado por mãos inábeis, no ventre de alguém de pouca prática, numa sala do sexto andar da Rua Lopes Quintas, 303, Jardim Botânico, gabinete da direção da Central Globo de Comunicações.

Estilisticamente, a peça publicitária que a Globo prega no telespectador também é sofrível. O ator Tony Ramos é humilhado com o cacófato “só dela”, como se o erro fosse só dele. O apresentador Serginho Groisman fica encarregado da metáfora mais piegas do institucional Q de Qualidade: “compromisso nos nossos corações”, sacada tão vulgar que não sensibilizaria sequer telespectadores insones em altas horas.

Numa frase, Galvão Bueno chuta dois flácidos gerúndios (defendendo e respeitando) e Luciano Huck s-o-l-e-t-r-a uma rima pobre juntando inovar com trabalhar. Há ainda uma profusão de pronomes, com aplicação de gosto duvidoso, ao longo da maioria das falas, como no caso de Xuxa, que diz: “… além do que se vê, está o que se sente”. E, eu, sinto muito.

A Globo com o Q de Qualidade acha que isso é Beleza Pura, mas, acredite, não passa de Duas Caras.”

Q de Qualidade – Filme da DM9 para a TV Globo.

Jô Soares satiriza o “Padrão Globo de Qualidade”.
Ao retornar na emissora Jô surpreende os telespectadores ao satirizá-la ao vivo! A encenação foi logo no começo do programa com a participação especial do saudoso comediante Francisco Milani.

Isso sim é ter liberdade de trabalho em uma emissora de televisão. E na estréia hein! Um clássico!

Leia mais sobre a Rede Globo aqui no blog:
Conheça todos os logos da Rede Globo de Televisão: De 1965 a 2008, de Aluísio Magalhães a Hans Donner.

Fontes:
AdNews
BlueBus Youtube
BrazilNation Youtube

Entenda o Subprime. Um mercado estúpido e ganancioso dos EUA.

Com os problemas financeiros das últimas semanas é preciso entender o “estopim”, a origem para que o mercado financeiro entrasse em total desespero. É um problema que vem se acumulando faz anos e que algum dia poderia estourar e quem sabe pode até piorar. Os problemas das últimas semanas podem ser a ponta de um “iceberg” apenas.

Leia o artigo abaixo e entenda a irracionalidade de governos e autoridades que deixaram estes problemas aparecerem:


Imagem: The Economist

O mercado de subprime nos EUA era de aproximadamente US$ 1,5 trilhão. É um mercado que tomou forma faz alguns anos, com a concessão de crédito imobiliário de alto valor a pessoas que não tinham condições de honrá-los. Os chamados empréstimos Ninja, sigla para “no income, no job or assets“: sem renda, sem emprego e sem ativos.

“Exagerando um pouco, os bancos hipotecários deram empréstimos de US$ 500 mil a imigrantes ilegais que trabalham no McDonald’s“, nas palavras de Edward Chancelor.

Uma das maiores autoridades mundiais em bolhas financeiras, o historiador inglês Edward Chancellor. (Autor de Salve-se Quem Puder – Uma História da Especulação Financeira. O livro foi escolhido como “obra notável” de 1999 pelo jornal The New York Times e entrou na lista da revista Money como um dos seis clássicos indispensáveis sobre investimentos).

“Nos últimos três anos ganhou-se mais dinheiro em Wall Street do que jamais se havia ganho na história moderna”, diz Chancellor.

“Mas essa riqueza é sintética, artificial, sustentada por operações de crédito realizadas na base de US$ 1 em garantia para cada US$ 20 tomados em empréstimo. Todos sabemos que uma expansão saudável do crédito antecede o crescimento da economia, mas você acha que esse tipo de alquimia financeira é sustentável? Eu não acho”.

Engenharia financeira estúpida.
O passo seguinte foi diluir o risco dessas operações duvidosas juntando-as aos milhares – e transformando a massa resultante em derivativos negociáveis no mercado financeiro, em valor cinco vezes superior ao das dívidas originais. Essa etapa do processo é chamada de securitização e equivale a uma alquimia capaz de transformar 2 quilos de terra em 10 quilos de ouro.

Espantoso, mas verídico, é que tal papelório lastreado em vento tenha obtido aval das agências de risco, que deram a ele a chancela máxima de triple AAA. Em termos técnicos, isso significa títulos tão sólidos quanto os do Tesouro dos EUA e muito mais confiáveis do que os bônus do governo brasileiro.

Assim, avalizados como coisa segura, e ademais baratos, os débitos de fantasia ganharam o mundo e passaram a povoar a carteira de investidores desavisados e instituições financeiras ambiciosas – servindo, freqüentemente, como garantia para tomada de novos empréstimos bilionários, alavancados na base de 20 para 1. Parece um conto de fadas criado na mesa de operações de um banco de investimentos.

“É um tremendo clichê, mas o que aconteceu agora foi a queda do castelo de cartas”, diz Chancellor.

Como em outras crises financeiras, desta vez chegou-se ao Dia do Juízo por um caminho pavimentado por três fenômenos: abundância de capital, inovação financeira e leniência regulatória.


Imagem: The Digerati Life

A leniência regulatória.
Logo após o estouro da bolha da Internet em 2000, o presidente do Federal Reserve, o lendário Alan Greenspan, cortou os juros e inundou o mercado financeiro de dólares baratos. Com juros baixos nos EUA e excedentes comerciais estratosféricos na China, o mundo foi irrigado por uma onda de liquidez nunca vista.

Ela está por trás do crescimento global acelerado e de várias coisas boas que aconteceram nos últimos anos, inclusive a estabilidade e relativa prosperidade do Brasil.

Esse, aliás, é um aspecto pouco mencionado das bolhas econômicas: elas podem ser positivas em vários sentidos. Aceleram o crescimento, geram riqueza e investimento e abrem espaço para a inovação. Um capitalismo extirpado de surtos de euforia teria mais estabilidade, menos progresso e, provavelmente, estagnação. Quase não seria capitalismo.

Com o corte nos juros houve um aumento nos empréstimos a partir de 2002 e com o aumento da demanda os preços dos imóveis dispararam.

Como os imóveis são entregues como garantias nos financiamentos, a sua valorização acabava gerando um excesso de cobertura. O bem entregue em garantia era suficiente não apenas para pagar o financiamento, mas havia uma sobra que permitia aos mutuários refinanciarem suas casas.

Assim, as pessoas, pegavam um novo empréstimo, maior do que o anterior, quitavam a dívida e usavam a sobra de caixa para consumir. Esse tipo de facilidade foi aberta a todos os perfis de interessados, tanto para aqueles com bons históricos de pagamento como para os que apresentavam restrições cadastrais, que receberam o nome de subprime.


Imagem: In These Times

Se a abundância de capital está por trás de quase todas as bolhas, a inovação financeira é seu par mais freqüente. A securitização de débitos hipotecários, protagonista da última corrida de mercado, é uma invenção recentíssima. Foi testada agora pela primeira vez e os resultados são desalentadores. A inadimplência em 2006 foi muito maior do que se esperava, e os derivativos que se apoiavam nas hipotecas estão sendo negociados a 40% de seu valor de face, um verdadeiro desastre.

Mas o risco associado aos novos títulos financeiros não se resume apenas à subespécie hipotecária. Os derivativos como um todo são instrumentos financeiros relativamente recentes, consideravelmente mais voláteis que seus antecessores históricos, e já somam ao redor do mundo a quantia assombrosa de US$ 300 trilhões. Isso mesmo, US$ 300 trilhões.

“Já estamos fazendo derivativos de derivativos, que entram na contabilidade dos bancos globais de uma forma que ninguém mais entende”, diz Chancellor.

Isso leva à questão controversa da regulamentação e da supervisão do mercado finaneiro. Nos dias de turbulência de agosto, quando as cabeças estavam quentes e os bolsos ameaçavam ficar vazios, o próprio Greenspan foi acusado de ter sido leniente com os mercados em 2000, ao socorrê-los com juro fácil na explosão da bolha da internet.

“Cada vez que se empurra uma crise dessas proporções com a barriga, ela se transforma lá na frente em uma crise maior”, diz Chancellor.

A alternativa, claro, não é indolor. Se Greenspan tivesse fechado a torneira, o mundo teria crescido muito menos do que cresceu desde 2000.

“Os ciclos econômicos sempre vão existir porque, de alguma forma, correspondem à natureza humana”, diz Chancellor.

Quando as coisas vão bem, as pessoas enlouquecem de ambição. Quando o pêndulo volta e castiga, como cedo ou tarde acontece no capitalismo, elas reclamam das autoridades e da complacência diante das oscilações econômicas. É estúpido, mas parece inevitável.

E com o alto volume de dinheiro disponível ultimamente, o subprime foi um setor que ganhou força e cresceu muito. A atual crise, assim, é proporcional à sua expansão.

Fontes:
Revista Época Negócios
Folha de São Paulo
Jornale