Reciclagem, alumínio, sustentabilidade e a bitributação no Brasil.
A sustentabilidade está em pauta em muitas empresas brasileiras. Isso é ótimo e a natureza agradece.
Mas como tudo neste País tem que ser diferente, a reciclagem, vem sofrendo com a bitributação. Um paradoxo, afinal, quem preocupa-se com futuro do meio ambiente deveria receber incentivos para tornar seu modelo de negócios menos oneroso para sociedade como um todo.
O presidente da Alcicla, Francisco Macedo Neto, executivo que dirige a maior empresa de reciclagem de alumínio da América Latina, localizada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, diz que está muito difícil trabalhar na reciclagem do produto em Minas Gerais e no Brasil por causa da falta de incentivos à atividade e da bitributação que o material reaproveitado sofre.
“Quando uma lata de alumínio é produzida a partir do material primário, sobre ela incidem todos os impostos federais e estaduais. Quando utilizamos esse alumínio, já no processo de reciclagem, esses impostos são pagos novamente”, reclama.
Ele lembra que uma lata de alumínio demora, em média, 14 dias para sair das mãos dos consumidores e retornar para as prateleiras dos supermercados, depois de reaproveitada através da reciclagem.
“Nesse período, quem produz, quem vende e quem compra, no caso o consumidor final, pagam os mesmos impostos duas vezes e assim sucessivamente. Já no caso dos automóveis, essa bitributação acontece em 10 anos, média da vida útil de um carro no Brasil”.
De acordo com José Roberto Giosa, atual Coordenador da Comissão de Reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) acha que a luta pela eliminação da bitributação do setor e o combate ao alto índice de sonegação na cadeia de reciclagem, podem contribuir para ampliar os benefícios da lata de alumínio.
“Um carro brasileiro tem 27 quilos de alumínio embarcado, em média. Na Europa, esse peso é de 218 quilos. Temos como crescer, apesar da falta de incentivos e até da bitributação de ICMS”, avalia Giosa.
No caso de Minas Gerais, a Assembléia Legislativa aprovou um pacote tributário do Executivo mineiro no qual consta uma diminuição de impostos para ligas de alumínio reciclado, mas até agora a lei, que já foi sancionada pelo governador Aécio Neves (PSDB), não foi regulamentada.
Apesar da aprovação e da sanção, a regulamentação é que definirá os detalhes da nova legislação, sendo que há uma tendência de considerar o alumínio reciclado como o produto primário, o que inviabilizaria a redução tributária.
“Além da questão ambiental, que é óbvia nesse caso, e da economia que os governos fazem por não gastarem no recolhimento dos recicláveis que são apanhados pelos catadores, temos a questão social em um País como o nosso. Para muita gente a única chance de sobrevivência é catar material reciclável”, afirma Macedo da Alcicla.
11 comments so far
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Existe um agravante maior na cadeia de recickagem no Brasil, é éla:
Uso indevido de mão de obra por parte das “cooperativas de reciclagem”, a meu ver escravigismo declarado e não policiado.
Catadores estão sen do usados como coletores de material reciclavel, sem se quer, saber o que é uma cooperativa.
Problema sério, deve ser combarido urgentemente para bem do cooperativismo.
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Tributação sobre matéria industrializada e comercializada não pode existir … . No entanto, reciclagem é tema novo no País.
Olá Flávio,
concordo contigo e infelizmente, neste País, as coisas acontecem, porque têm que acontecer, por outros motivos.
Reciclar se faz urgente, ato nobre, mas sabemos que ela só acontece porque milhares de trabalhadores não tem outra opção.
Sem contar que além de novo o assunto, boa parte da população não tem educação para entender a graidade do problema, com a ajuda imensa do governo incapaz de lidar com o assunto.
Abs
Andrey;
Esta havendo uma demanda enorme sobre o meio ambiente ecologico, não poderia ser diferente. Nosso problema maior é o geitinho brasileiro de fazer, faça uma pesquisa particular e, notatá que essa população de catadores está sendo usada de forma discarada por empresas e cooperativas. Sob o escopo de reciclagem e bem social, empresas de reciclagem e intermediários se escondem por traz do slogam coop para. em regime de cooperativa (Lei 5764/71 e CC) obter incentivos de toda sorte do Estado. Conseguem; a ponto de induzir a sociedade ha pensar que, agindo assim se obtem assim e é melhor pra todos.
Na verdade, familias inteiras estão sendo usadas para transportar sem preço o que deveria ser pago por estas empresas.
Não encontro no modelo cooperativo forma licita para o segmento. longe do ceticismo, noto que nasce mais um genero corruptivo que, servirá de ancora para politicos tipicos.
As OCISPs oferecem maior segurança civíca para o segmento de reciclagem, pois é fato que lixo não é lixo, é apenas em resultado do meio ambiente mau entendido no ambiente de destino. Não podemos esquecer que o lixo é propriedade material e como tal deve ser tratado pelo estado.
Por isso tento repassar á idéia de propriedade material do resultado de consumo, a fim de propor forma administrada em nucleos comunitários … .
Vamos seguir.
Obrigado pela oportunidade.
Exatamente Flávio,
se faz necessário profissionalizar a área e dar um basta aos aproveitadores!
Abs
eu acho que deve ter mais especificamente as leis no site
mais ta muito bom o trabalho
bjao
Olá Taila,
obrigado por deixar o seu comentário aqui no blog.
Normalmente sem a pretensão de abarcar todas as variáveis, seria mais no sentido de promover uma discussão e até conscientização sobre determinados assuntos.
De qualquer forma obrigado pela sua contribuição,
Abs
[...] Reciclagem, alumínio, sustentabilidade e a bitributação no Brasil. [...]
bem, eu gostei muito das informações mza eu
gostaria que tivesse mapas com as regioes que reciclam
em contagem
quero comprar latas usados
Super interessante, inclusive gostaria mesmo e de colocar um pequeno negocio neste ramo de reciclagem de latas, e queria saber como e para quem vender, com boa margem de lucro, vocês têm como me auxiliar? grato.
Olá Nívio,
eu sou publicitário e não atuo na área, mas segue alguns links para você começar a se inteirar pelo assunto. Sugiro ir pesquisando na internet que tem muitos sites, blogs específicos no assunto.
Abral
http://www.abal.org.br/reciclagem/introducao.asp
Abre
http://www.abre.org.br/meio_reci_brasil.php
Abipet
http://www.abipet.org.br/
Recicle
http://www.recicle.net/
Abief
http://www.abief.com.br/
http://www.econocenter.com.br/reciclagem/links.htm
http://www.sucatas.com/links.shtml
Espero ter ajudado,
Abs