Posts de Fevereiro 22nd, 2008|Página de posts diários
Entrevista com empresário Eike Batista: “não tenho medo de investir”
A entrevista é uma excelente oportunidade para analisar um pouco o que pensa o empresário , investidor e grande estrategista do mundo dos negócios e brasileiro mais rico do País.
Gazeta Mercantil – Com o sucesso da negociação com a Anglo American, qual é agora o carro-chefe do grupo?
O petróleo. Tem escala gigantesca, umas 50 vezes maior que a mineração. É um business diferente.
Gazeta Mercantil – O senhor gosta de risco. Um exemplo foi entrar como entrou, com altos lances, no leilão de petróleo …
Não nos importamos em gastar US$ 50 milhões para pesquisar alguma coisa; é óbvio que temos uma leitura do eventual potencial, mas só tem resultado final depois de arriscar.

Antonio Petruccelli (1907 – 1994)
Gazeta Mercantil – Quais os planos do grupo na mineração?
Temos a AVG e a Minerminas, área de exploração de bauxita e urânio que obviamente estamos interessados. Na AVG e Minerminas vamos elevar de 6 milhões para 20 milhões de toneladas a produção até 2010. Recebemos, por semana, cerca de 20 propostas de áreas para avaliação e estamos avaliando agora aproximadamente 20.
Gazeta Mercantil – E a produção de Corumbá?
É uma perna importante para o nosso Porto Brasil, porque precisamos de carga própria para conseguir licenças. Temos quatro interessados em comprar um pedaço. Estamos fornecendo minério para a usina de gusa, que são 600 mil de toneladas. Neste ano vamos produzir 2 milhões de toneladas das quais 1,4 milhão para exportação.
Gazeta Mercantil – Os interessados no negócio fazem parte dos clientes atuais?
Também.
Gazeta Mercantil – No negócio com a Anglo, a operação de logística ficou com a LLX?
Nós não vendemos 51% do Porto de Açu, pertencente à mineração. Eles ficaram com 49%. Então, a Anglo quer que sejamos responsáveis por colocar o sistema Minas-Rio em produção da mesma maneira que colocamos o sistema Amapá; eles querem a nossa equipe completa. Por isso me mantiveram como CEO. Será a primeira receita da LLX. Por isso existe essa simbiose, estamos totalmente interligados. E uma das razões da venda, nessa simbiose, era a capitalização para continuar desenvolvendo a logística, porque o Porto do Açu vai se tornar um megaporto industrial.
Gazeta Mercantil – Qual investimento no Porto de Açu, Norte Fluminense?
São US$ 700 milhões e no Porto Brasil serão US$ 2,5 bilhões.
Gazeta Mercantil – O projeto do Porto Brasil, na região de Peruíbe (SP), se mantém, mesmo diante das dificuldades ambientais e com a comunidades indígenas da região?
Dificuldades sempre se tem. Trabalha-se, faz-se estudo, se estiverem errados faz-se de novo. Não fazemos nada errado, não precisa.
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Clique na imagem para ver melhor o projeto do Porto em Peruíbe
Gazeta Mercantil – Com relação à legislação brasileira, o governo está preparando um marco regulatório para o setor de mineração. O senhor tem participado do assunto?
É o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) que participa, mas acho que tudo tem que ter suas regras.
Gazeta Mercantil – A cobrança de royalties na mineração no Brasil é considerada mais barata que em outros países. Isso atrai investimentos?
O problema é que é o royaltie e mais o imposto de renda. A carga final é o que interessa. A busca do Brasil é pelo fato de ter o melhor minério de ferro do mundo.
Gazeta Mercantil – Onde estão acontecendo essas pesquisas?
No Amapá, Amazonas, Minas Gerais, Goiás, Bahia e também no Mato Grosso.
Gazeta Mercantil – As quatro empresas com as quais vocês estão conversando para comprar parte de Corumbá são do exterior?
Três são de fora, uma está no Brasil.
Gazeta Mercantil – A expectativa é fechar o negócio até quando?
Nos próximos seis meses deve sair.
Gazeta Mercantil – Os preços do minério de ferro estão em alta, qual a tendência?
Os preços não vão recuar porque os minérios acabam. Os de alta qualidade não existem mais. O chinês lavra o minério de 10% de teor. Eles raspam o tacho. Não existe mais hoje o granulado. A maior jazida de granulado que sobrou é da Rio Tinto, em Corumbá. Então, cuidado, se US$ 10 era o custo, pode começar a olhar para US$ 20.
Gazeta Mercantil – A origem de tudo foi o ouro, quais os planos para o ouro?
Volto a qualquer hora. Estamos olhando a área de ouro.
Gazeta Mercantil – Vocês estão investindo na exploração de bauxita, podem avançar nesse negócio?
A bauxita está nos planos, mas para exportação. Os preços de energia desestimulam investimentos em alumínio.
Gazeta Mercantil – Já há projetos direcionados para o porto de Peruíbe?
Mineração de Corumbá, etanol, tem produtores de álcool que querem sua produção independente e estão interessados em fazer um álcooduto e vai virar um megaporto de contêineres porque Santos vai entrar em saturação. O Brasil pode dobrar sua produção de commodities. Nós somos complementares para essa carga toda que o Brasil pode vir a exportar.
Gazeta Mercantil – Os interessados serão sócios no porto?
Não, vão arrendar. O modelo de negócio da LLX é tarifa de manuseio do porto e arrendamento industrial da área.
Gazeta Mercantil – Quem serão os sócios para tocar os 21 blocos arrematados no leilão da ANP?
Gazeta Mercantil – Quais os planos para a OGX?
Queremos abrir capital aqui a um valor de provavelmente US$ 12 bilhões antes da captação e queremos captar uns US$ 2 bilhões.
Gazeta Mercantil – Há fôlego para participar do próximo leilão?
Isso temos sempre. Não paramos.
Gazeta Mercantil – O grupo também está construindo hospital para empresas particulares, negocia o Hotel Glória…
Estamos negociando o Hotel Glória. A idéia é transferir a sede da empresa para lá, além do funcionamento do hotel. Vamos fazer uma reforma para voltar a estrutura que era em 1920. Essa engenharia deve custar R$ 60 milhões.
Gazeta Mercantil – Quais os projetos sociais da companhia?
Temos alguns, um deles o projeto de despoluição da Lagoa. Construção de hospitais. Esses projetos vão aumentar. Mas vamos fazer as coisas organizadamente.
Gazeta Mercantil – A ousadia foi característica fundamental para erguer o patrimônio de US$ 16 bilhões?
Não tenho medo de investir e, como venho da área de ouro, onde a taxa de acerto é de 17 mil para 1, se me apresentam um negócio com 30%, 50% de taxa de acerto então é ótimo.
Gazeta Mercantil – Como pretende multiplicar esse patrimônio?
Com investimentos em petróleo, logística, energia. Mineração tem menor participação nesse crescimento porque as reservas são limitadas.
Gazeta Mercantil – Quem serão os parceiros no petróleo? São as maiores do mundo?
Tem uns chineses gigantes, indianos gigantes. Emergentes.
Gazeta Mercantil – E a Shell?
Bons sócios (risos).
Gazeta Mercantil – E a ExxonMobil?
Gente boa (risos).
Gazeta Mercantil – E os investimentos no exterior. Na Bolívia, por exemplo?
A Bolívia nos interessa porque tem muita energia. O Evo fez o que tinha de fazer. Quis quebrar um centenário de exploração desenfreada do país dele. Aquilo era uma espoliação e alguém tinha que entornar o caldo. E o bom é que é um cara honesto, que quer o bem mesmo. Pensamos em investir lá em energia e siderurgia. Gerar energia térmica para o Brasil. Nos interessa entrar na exploração de gás.
Gazeta Mercantil – A OGX vai entrar como, por meio de licitação ou de negociação com outras empresas?
Vamos conversar com a Repsol, que está sentada em cima do poço, em campos como, acho que são, San Alberto e Margaritta. Estamos encaminhando conversas.
Gazeta Mercantil – Quais as perspectivas econômicas para o Brasil?
Espetacular. Se eu estou vendo a possibilidade de dobrar o volume de produção agrícola em sete anos, teremos um crescimento expressivo. Temos uma economia ainda muito pouco alavancada. O Itaú, por exemplo, só tem 12% da carteira alavancada em imóveis. Imagina o que tem para crescer.
Gazeta Mercantil – E a projeção para o crescimento do PIB?
O problema de crescer demais são os gargalos. Na construção civil, há um problema de falta de energia. E falta também cimento.
(Sabrina Lorenzi e Rita Karam – Gazeta Mercantil)
Atualização em 03.09.2008:
Agência Estado/Portal Exame: Empresa de Eike Batista suspende investimento em SP
Porto Gente: LLX deixa Peruíbe e futuro do Porto Brasil é incerto
Atualização em 24.10.2008: Após a palestra na Casa do Saber – RJ, Eike Batista deu uma palhinha para a Endeavor sobre empreendedorismo com toda sua genialidade.
Atualizado em 11.11.2008: Eike Batista descarta de vez o Porto Brasil
Depoimento EIKE BATISTA sobre Empreendedorismo
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